O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou, nesta sexta-feira (8), que Benjamin Netanyahu deve permitir que mais ajuda chegue a Gaza, depois que foi flagrado com o microfone aberto dizendo que confrontaria o premiê israelense pelo conflito.
“Sim, tem que fazê-lo”, disse Biden a jornalistas ao ser perguntado se Netanyahu precisava fazer mais para permitir a entrada de ajuda na região.
Quando os jornalistas lhe perguntaram porque havia dito que era necessária uma reunião, Biden esclareceu: “não disse isso no discurso”, referindo-se ao do estado da União, na noite de quinta-feira. E acrescentou, “vocês [estavam] ouvindo [coisas] às escondidas”.
Biden enfrenta forte pressão política nos Estados Unidos por seu apoio firme à guerra do Israel contra o Hamas, mas vem mudando de posição sobre a necessidade de reduzir as vítimas civis e abordar a crise humanitária em Gaza.
Os comentários no microfone reforçaram a impressão de um distanciamento crescente de Netanyahu, enquanto Israel e Hamas não conseguem chegar a um cessar-fogo.
Enquanto discursava na Câmara de Representantes com o senador Michael Bennet, Biden foi gravado dizendo: “Disse a ele, Bibi – e não repita isso -, mas você e eu vamos ter uma reunião”.
Um assistente presidencial viu a câmera e se aproximou de Biden para avisá-lo.
Biden deixou o grupo no qual também estava o secretário de Estado, Antony Blinken, e disse: “estou em um microfone quente aqui. Bom. Isso foi bom”.
O presidente já tinha se dirigido com dureza a Israel no discurso, quando alertou que nesse país não podia usar ajuda humanitária como “moeda de troca” na luta contra o Hamas.
Em seu discurso, anunciou que o Exército americano vai estabelecer um porto temporário em frente à costa de Gaza para levar ajuda necessária à população.
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