FERNANDA PERRIN
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS)
Em seu discurso de despedida à Assembleia-Geral da ONU, o presidente Joe Biden fez uma defesa de seu legado internacional e afirmou, sob aplausos, que há coisas mais importantes do que permanecer no poder.
Em uma abordagem inusual, o americano tratou no discurso da sua decisão de sair da disputa pela Casa Branca. “Eu queria fazer muito mais, mas por mais que eu ame meu trabalho, amo mais o meu país”, disse.
“Líderes, vamos esquecer que algumas coisas são mais importantes do que permanecer no poder. O mais importante é o seu povo. Nunca se esqueça que nós estamos aqui para o povo. Não o contrário.”
O tom da fala foi de balanço -não apenas de seu mandato como presidente, mas desde seu início de sua carreira política. Biden relembrou, por exemplo, sua oposição ao apartheid na África do Sul quando era senador e a queda do muro de Berlim. O americano de 81 anos até brincou com a idade, dizendo que sabe que, apesar de ter vivido tudo isso, aparenta “ter só 40 anos”.
O americano discursou na manhã desta terça-feira (24), logo após o presidente Lula. Embora não seja mais o candidato democrata à Casa Branca, substituído na chapa por sua vice, Kamala Harris, a disputa contra Donald Trump esteve nas entrelinhas.
Biden defendeu que cooperação global é o melhor caminho, em vez de uma postura isolacionista.
A instabilidade global nos últimos anos vem sendo um dos alvos de ataque de Donald Trump, que concorre à Presidência neste ano. O republicano atribui os conflitos ao que vê como uma fraqueza de Biden, exemplificadas pela suspensão de sanções ao Irã e à Venezuela e pela saída desastrosa das tropas americanas do Afeganistão.
Em campanha, o empresário diz com frequência que resolvia problemas com outros países durante seu governo simplesmente ameaçando suspender o repasse de recursos americanos. Seu retorno à Casa Branca é visto com temor por aliados dos EUA, principalmente entre europeus, que contam com Washington para fazer frente à Rússia.
Biden contou a história de seu mandato como uma espécie de “os Estados Unidos voltaram” após os turbulentos anos Trump, apontando os resultados concretos que diz ter alcançado. O presidente destacou, por exemplo, seu papel na união do mundo em defesa da Ucrânia após a invasão pela Rússia, na negociação de um acordo de cessar-fogo para Gaza e na gestão da competição entre Washington e Pequim.
A mensagem foi de que esses desafios persistem, se somam a problemas como a crise climática e as implicações de novas novas tecnologias como a inteligência artificial, e só podem ser resolvidos por meio de cooperação.
Como fez no ano passado, Biden repetiu seu apoio a uma reforma de organismos multilaterais, como a própria ONU, e citou especificamente seu apoio a uma expansão do Conselho de Segurança.
Após o discurso, o presidente americano vai se reunir com o secretário-geral da organização, António Guterres. À tarde, ele promove um encontro da coalizão global sobre ameaças oferecidas por drogas sintéticas, uma iniciativa lançada em junho do ano passado que reúne hoje 158 países e 15 entidades internacionais.
No mesmo dia, o democrata participa de um evento em que fará um discurso sobre crise climática. Na quarta, ele tem um encontro bilateral com o presidente do Vietnã, To Lam, e participa de uma reunião sobre a reconstrução da Ucrânia. À noite, ele participa de uma recepção para líderes estrangeiros no Met, o Museu Metropolitano de Arte de Nova York.