Os americanos gastam mais com assistência médica que com comida e moradia, visit web disse hoje o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, que evitou sugerir alguma proposta específica para a reforma do sistema de saúde.
“Seja como for medido, o setor de saúde representa um segmento maior da economia dos Estados Unidos”, disse Bernanke durante uma conferência da Comissão de Finanças do Senado dedicada à reforma do sistema médico.
Neste ano eleitoral, as deficiências do sistema de assistência da saúde – em um país onde mais de 45 milhões de pessoas não têm seguro médico e muitas das que têm são obrigadas a pagar mensalidades cada vez mais caras – é um dos assuntos mais debatidos.
O virtual candidato presidencial republicano John McCain insiste em que as soluções devem vir do setor privado sem intervenção do Estado.
Já seu virtual adversário nas eleições, o democrata Barack Obama, sugeriu implementar um sistema nacional de saúde que dê cobertura universal.
“O gasto nos serviços para o cuidado da saúde excede atualmente 15% do Produto Interno Bruto (PIB)”, disse Bernanke, que evitou demonstrar inclinação por qualquer proposta de reforma e se ateve a descrever o panorama aos legisladores.
“A despesa no cuidado da saúde é o maior componente individual do consumo pessoal, é maior que a despesa com moradia ou comida”, disse.
“E o mais importante é que o cuidado da saúde também foi e continua sendo um dos setores de crescimento mais rápido na economia”, acrescentou.
Nas últimas quatro décadas, disse Bernanke, esse setor de serviços cresceu em média a um ritmo 2,5 pontos percentuais mais rápido que o PIB.
“Se for mantido este ritmo de crescimento, o gasto na saúde excederá os 22% do PIB por volta de 2020 e chegará a quase 30% do PIB em torno de 2030”, acrescentou.
A despesa em serviços relacionados com o cuidado de saúde requer uma porção crescente dos orçamentos governamentais, disse Bernanke.
“No ano passado, o cuidado da saúde representou quase um quarto de todo gasto federal”, acrescentou. “O Escritório de Orçamento do Congresso calcula que, sob as políticas atuais, a despesa no cuidado da saúde representará quase a metade de todas as despesas federais em 2050”.
A melhor forma de reduzir a drenagem de recursos federais causada pela despesa na saúde “é oferecer uma assistência eficiente em termos de custos e em todo o sistema”, assinalou o funcionário, que, imediatamente, reconheceu que é mais fácil dizer que fazer isto.