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Mundo

Berlusconi afirma que caso Battisti não afetará relações com Brasil

Arquivo Geral

04/01/2011 16h37

AO primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, declarou nesta terça-feira que as boas relações entre seu país e o Brasil não serão afetadas pela recusa da extradição do ex-ativista de esquerda Cesare Battisti.

Berlusconi deu a declaração após se encontrar com Alberto Torregiani, filho de Pierluigi Torregiani, uma das quatro pessoas assassinadas por Battisti na Itália durante os “anos de chumbo”, nas décadas de 1960 e 1970, motivo pelo qual o ativista foi condenado a prisão perpétua em 1993.

O governante ressaltou que o Brasil é um país ao qual a Itália está ligada por uma “antiga e sólida amizade” e afirmou que o caso Battisti não interfere nas relações existentes entre ambos os países.

“Trata-se de um caso judicial, além de qualquer outra consideração”, explicou Berlusconi, que garantiu que esta situação “não mudará a relação entre os dois países”.

Além disso, o chefe de Estado italiano explicou que propôs a Torregiani, que ficou paralítico no atentado que tirou a vida de seu pai em 1973, que compareça a uma conferência do Partido Popular Europeu (PPE) em Bruxelas no final de janeiro para contar a “realidade do ocorrido” e para buscar um veredicto diferente do emitido pelo Brasil.

Por outro lado, segundo informou o Ministério de Relações Exteriores italiano, o titular desta pasta, Franco Frattini, se reuniu nesta terça-feira em Roma com o embaixador italiano no Brasil, Gherardo La Francesca, e com o representante italiano na União Europeia, Nelli Feroci, para avaliar uma possível ação judicial no caso Battisti e suas repercussões em um âmbito europeu.

No dia 31 de dezembro o agora ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou a extradição de Battisti à Itália, solicitada por Roma, em seu último dia de mandato antes de passar o cargo a Dilma Rousseff.

Esta decisão foi bastante criticada na Itália tanto entre as fileiras da maioria governista quanto da oposição e levou o Executivo a anunciar sua intenção de levar o caso à Corte Internacional de Haia.

Por conta da insatisfação com a decisão do Brasil, foram programadas para esta terça-feira inúmeros atos diante das sedes diplomáticas brasileiras para protestar pelo caso Battisti, que indignou também a opinião pública italiana.

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