Van Rompuy, que passará a exercer sua nova função a partir do dia 1º de janeiro de 2010, se reunirá nesta manhã com o rei belga Alberto II para apresentar sua renúncia. Depois disso, o soberano iniciará uma rodada de contatos com os líderes da coalizão governamental.
A escolha de Van Rompuy pela UE despertou sentimentos divergentes entre os políticos belgas, que veem sair do Governo um homem que conseguiu trazer calma e para um país em permanente crise política.
A classe política belga, segundo a imprensa local, diz que o mais importante neste momento é “manter a estabilidade”, como ressaltou em declarações à rádio pública “RTBF” o ministro das Finanças, o liberal francófono Didier Reynders.
Os líderes belgas também concordam que a ausência de Van Rompuy não dará margem a um replanejamento do difícil equilíbrio da atual coalizão governamental, formada por dois partidos flamengos – democrata-cristão (CD&V) e liberal (Open VLD) – e três francófonos – socialista (PS), liberal (MR) e humanista (CDH).
O objetivo é não reabrir o pacto de coalizão e não modificar a repartição de pastas e competências, mas simplesmente encontrar um substituto para o primeiro-ministro nas fileiras dos democratas-cristãos flamengos, partido majoritário.
“A caixa de Pandora do acordo governamental não será reaberta”, afirmou a ministra de Emprego belga, Joëlle Milquet.
O nome que mais soa nas fileiras flamengas para suceder Van Rompuy é justamente o de seu antecessor, Yves Leterme, que nunca gozou do apoio dos francófonos.
Leterme se viu obrigado a renunciar em dezembro de 2008 depois de ser acusado de tentar influir na decisão sobre a venda do grupo bancário Fortis.
Segundo Milquet, quase um ano depois do escândalo Fortis, ficou claro que o escândalo teve sua origem no mau funcionamento do próprio sistema judiciário belga.
Mas, para a líder do grupo dos Verdes francófonos (Ecolo, de oposição), Isabelle Durant, o próprio Leterme deveria se perguntar se ele realmente é o candidato ideal.