A economia na zona do euro se estabilizou, vai se recuperar de forma gradual e a inflação, negativa em setembro, voltará a ser positiva nos próximos meses, segundo o Banco Central Europeu (BCE).
Em seu boletim mensal de outubro, publicado hoje, o BCE sustenta que a eurozona se beneficiará especialmente da recuperação das exportações, dos grandes estímulos macroeconômicos em andamento e das medidas adotadas para a restauração do funcionamento do sistema financeiro.
Além disso, após as contribuições negativas na primeira metade do ano, o ciclo de estoque terá um impacto positivo no crescimento real do Produto Interno Bruto no segundo semestre.
Mesmo assim, o BCE considera que “a volatilidade continua sendo alta” e que os dados disponíveis devem ser interpretados com “cautela”.
“Na opinião do Conselho do BCE, os riscos no horizonte estão equilibrados”, sustenta a autoridade monetária que qualificou de “apropriados” os atuais taxas de juros.
A taxa reitora para as principais operações de refinanciamento segue em 1%, um nível historicamente baixo com o qual o BCE pretende impulsionar a recuperação econômica.
Quanto à inflação, que segundo os dados provisórios do escritório comunitário de estatística Eurosat foi de -0,3% em setembro, o BCE considera que esta só reflete os movimentos dos preços das matérias-primas de anos atrás.
A médio prazo, no entanto, a taxa de inflação se movimentará no terreno positivo e “firmemente ancorada no objetivo do BCE”, que é manter a inflação abaixo mas próxima de 2% a médio prazo.
O BCE destacou a importância dos estímulos macroeconômicos derivados das medidas políticas adotadas e prevê que a deterioração do mercado de trabalho poderia ser menor do projetado anteriormente.
No entanto, o BCE mantém sua “preocupação” pelo impacto na economia real da crise financeira, como consequência do aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas, o ressurgimento do protecionismo e a possibilidade de uma correção desordenada das desigualdades globais.