“A Grécia não criou nenhum império, era formada por uma série de pequenas cidades, mas o fato de não pertencer a um terrível império em que o rei era quase um ser divino tornou o povo mais livre”, explicou à Agência Efe o filólogo e acadêmico espanhol Francisco Rodríguez Adrados, grande defensor da cultura helenística.
Segundo Adrados, a importância real de Maratona foi ajudar os gregos a “interromperem a expansão persa”, o que permitiu o desenvolvimento de sua civilização, dotada de “um sentido mais moderno, mais europeu, mais livre”.
“Acreditavam em sua própria civilização e a defenderam”, revela o acadêmico.
A história não conta com fontes diretas sobre a façanha ocorrida a 42 quilômetros ao noroeste de Atenas, da qual hoje sabemos por Heródoto – nascido depois da batalha que ocorreu 490 a.C – que parece ter acontecido entre meados de agosto e setembro.
A Batalha de Maratona, que enfrentou ao império persa do rei Darío I contra os exércitos ateniense e espartano, ocorreu porque os gregos decidissem apoiar – enviando apenas alguns barcos – as revoltas jônicas quando os persas invadiram as ilhas do Egeu Oriental.
Como lembra o historiador Indro Montanelli, em seu livro “História dos Gregos”, os atenienses eram armadores e mercadores, e “para eles o mar o significava tudo”.
Por isso, os gregos decidiram impedir a passagem de Darío, sem saber “a importância histórica que representava” o gesto.
“Agora, diante dos fatos consumados, podemos dizer que graças ao ocorrido foi possível o nascimento do Ocidente”, explica Montanelli, para quem se os persas tivessem vencido a batalha, “o Ocidente teria ficado como tributário do Oriente quem sabe durante quantos séculos e com que consequências”.
A participação grega na liga jônica levou os persas a declararem guerra contra Atenas, e a primeira grande batalha foi a da planície de Maratona, que em grego significa “joelho”.
Conforme Adrados, os persas foram derrotados pelos gregos, sob o comando de Milcíades, quem soube ver o ponto fraco do inimigo: “eram soldados valentes individualmente, mas sem nenhuma ideia da manobra coletiva”, segundo Montanelli.
O que os persas encontraram foi uma autêntica “muralha de bronze” formada pelos escudos de colunas e colunas de soldados gregos de infantaria, e essa, junto ao trunfo surpreendente dos helenos, foi sua perdição, acostumados à luta com cavalaria e armas arrojadas.
Indro Montanelli ironiza com relação ao número de baixas de um e outro grupo, um dado que chegou a partir dos “historiadores que infelizmente eram todos gregos” e que, portanto, “não parece muito confiável”: segundo as crônicas, os persas perderam 7 mil homens e os gregos, menos de 200.
A batalha conclui com a mais famosa lembrança daquela façanha, a do soldado mensageiro Filípides, que correu sem parar os 42 quilômetros que separavam Maratona de Atenas para anunciar a vitória grega, e assim que cumpriu a missão, caiu morto, “com os pulmões arrebentados”.
É por isso que o maratona que corrida atualmente tem a extensão de 42 quilômetros, ou de 42,195, para ser mais exato, já que em 1805, em Londres, acrescentaram os quase 200 metros para que a distância da competição coincidisse com o desafio real.