Segundo moradores de Basra, a situação é tranqüila, apesar da grande presença militar e de se viver em um local onde um atentado possa fazer com que a frágil situação desmorone.
“As ruas da cidade estão cheias de gente comprando e vendendo, e o tráfego é lento pela quantidade de veículos em algumas áreas”, disse à Agência Efe Sami Khalifa, um analista político que mora em Basra, capital da província.
Centenas de membros do Exército iraquiano e das forças de segurança do Ministério do Interior estão nas ruas da cidade desde domingo, quando um acordo entre as autoridades iraquianas e o Exército britânico foi assinado no aeroporto de Basra.
Foram instalados dezenas de postos de controle militar nas estradas mais movimentadas da província para frustrar qualquer tentativa de desestabilização.
“Todos estão contentes com a presença das tropas iraquianas na cidade, mas continuamos preocupados com o futuro”, disse à Efe Haider al-Saadi, um alto funcionário do Governo da província.
“Assumir a responsabilidade da segurança é um importante passo em direção à segurança e à estabilidade, mas esta medida poderia despertar o desejo das milícias (xiitas) de iniciar um conflito aberto pelo controle da cidade”, acrescentou.
Saadi fazia referência às três milícias xiitas que, de fato, controlam Basra: o Exército Mehdi, do líder rebelde xiita Moqtada al-Sadr; o Partido Supremo Islâmico do Iraque, do clérigo Abdul Aziz al-Hakim; e o Fadhila, ou Partido da Virtude.
Basra é uma região de grande importância estratégica por sua saída para o mar, e também é o principal centro da atividade petrolífera do Iraque, de onde são extraídos mais de 70% da produção total de petróleo do país.
“Nossas preocupações são baseadas no fraco treinamento das tropas iraquianas e nas dúvidas sobre sua capacidade de administrar qualquer onda de violência na província”, disse à Agência Efe um analista que pediu para não ser identificado.
Às dúvidas sobre o desempenho das forças iraquianas se somam as ameaças feitas esta noite pelo líder da rede terrorista al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, em um novo vídeo divulgado na internet.
Em uma entrevista de 1h37 de duração à produtora da al-Qaeda, As-Sahab, Zawahiri afirmou que a transferência da segurança às mãos iraquianas significa o triunfo da insurgência frente às tropas britânicas.
Para Zawahiri, a retirada é um sinal de “uma nova demonstração de força dos mujahedins (combatentes islâmicos)” e ela se deve “às vitórias” que eles obtiveram no Iraque.
Além disso, o braço direito de Osama bin Laden acusou o Irã e seu presidente, Mahmoud Ahmadinejad, de “serem a garra dos cruzados em sua luta contra os muçulmanos” e de ajudarem os milicianos xiitas a cruzar a fronteira para lutar contra os sunitas.
Zawahiri reconheceu ainda na gravação que o braço da al-Qaeda no Iraque foi traído por grupos sunitas aliados aos americanos.
Ele também pediu que as tribos árabes sunitas “eliminem esses traidores”, referindo-se aos “Conselhos de Salvação”, grupos de resistência sunitas criados por líderes tribais recentemente.