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Mundo

Base americana traz problemas para primeiro-ministro japonês

Arquivo Geral

28/05/2010 12h24

O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, entrou em acordo hoje com os Estados Unidos para manter uma base americana dentro de Okinawa, descumprindo uma de suas principais promessas eleitorais.

A medida também causou a primeira baixa no jovem governo de Hatoyama.

A maior parte da população de Okinawa se opõe a decisão, que pode custar o cargo de Hatoyama muito impopular pela forma como maneja o tema. Hoje, pela primeira vez, ele teve que remover uma ministra, a líder do pacifista Partido Social Democrata (PSD), por rejeitar o pacto com os EUA.

O acordo, anunciado simultaneamente por Tóquio e Washington, prevê a transferência da base aérea de Futenma, com dois mil marines e localizada em plena área urbana de Ginowan, para Nago, para uma área menos habitada ao norte da ilha japonesa de Okinawa.

O impacto da medida é idêntico ao do assinado em 2006 pelo Executivo anterior do Partido Liberal-Democrata (PLD), que governou o Japão durante 54 anos. Antes de chegar ao poder em setembro, o atual primeiro-ministro tinha prometido anular o acordo.

Em uma conversa por telefone, Hatoyama e o presidente dos EUA, Barack Obama, expressaram sua satisfação por um acordo que definiram como “viável” do ponto de vista operacional e “sustentável” politicamente, segundo a Casa Branca.

O plano “não é perfeito”, mas a presença militar dos EUA é “indispensável” para a segurança do Japão, argumentou hoje Hatoyama, cujo partido, o Democrático, tem maioria absoluta na Câmara Baixa, mas governava em coalizão com os minoritários PSD e Novo Partido do Povo.

O primeiro-ministro demorou oito meses em decidir sobre Futenma, um assunto que dominou a vida política japonesa, na frente da crise e da elevada dívida pública.

No caminho, Hatoyama perdeu grande parte de sua credibilidade política e a aprovação da população que o levou a uma vitória arrasadora nas últimas eleições. Ao mesmo tempo em que os protestos em Okinawa, onde as tropas dos EUA são muito impopulares, aumentaram. A medida instigou o debate sobre a presença militar americana no Japão e deteriorou a relação com Washington.

A popularidade do primeiro-ministro japonês, que superava os 70% há oito meses, hoje não chega a 20% e em julho ele deve passar pela prova das urnas nas eleições que renovarão metade do Senado, onde carece de maioria.

O líder do Partido Democrático ganhou por maioria absoluta as eleições de 30 de agosto com um programa que defendia uma relação “de iguais” com os EUA e a revisão do status das forças americanas no Japão, que tem 50 mil militares, metade em Okinawa.

A principal promessa foi tirar a impopular Futenma dessa ilha e, se possível, do Japão. No entanto, apesar de ter se empenhado, Hatoyama não conseguiu convencer nenhum prefeito a acolher a ruidosa base e seus dois mil marines, muito menos uma folga de Washington.

O Governo de Obama se opôs durante meses a toda e qualquer alternativa oferecida por Hatoyama, como construir uma ilha artificial em Nago ou levar a base para a distante Tokunoshima, e no final só cedeu hoje em estudar a possível saída de Okinawa das manobras de helicópteros de Futenma.

O Japão e os EUA concordaram também em levar a base a seu novo local, em Nago, antes de 2014, mas os protestos poderiam atrasar a mudança.

Susumu Inamine, prefeito de Nago, afirmou hoje que a possibilidade de levar a base a sua localidade é “zero” e que não tem intenção de começar negociações a respeito, segundo a agência local “Kyodo”.

O ministro japonês de Defesa, Toshimi Kitazawa, se comprometeu hoje a buscar o apoio da população de Okinawa para o acordo e argumentou que as necessidades de segurança do Japão na região do Leste da Ásia tornam a permanência dos marines dos EUA obrigatória.

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