O Bank of America registrou as primeiras perdas do ano no terceiro trimestre, em consequência da menor demanda por crédito, embora tenha acumulado lucro de US$ 2,992 bilhões nos nove primeiros meses de 2009.
A entidade que mais faz empréstimos nos Estados Unidos informou que suas contas no terceiro trimestre do ano alcançaram uma perda de US$ 1,001 bilhões, frente aos US$ 1,177 bilhões conquistados no mesmo período de 2008.
Uma vez contabilizado o pagamento de dividendos aos titulares de ações preferenciais, entre eles o Governo americano, que injetou US$ 45 bilhões para ajudar o banco a superar a crise, a perda líquida alcançou US$ 2,241 bilhões de dólares (-US$ 0,26 por ação), frente aos US$ 704 milhões acumulados um ano antes (US$ 0,15 centavos por ação).
A entrada nos números vermelhos foi consequência em parte do aumento das reservas para fazer frente às perdas derivadas dos empréstimos, que aumentaram em um ano de US$ 6,450 bilhões para US$ 11,705 bilhões.
Ao longo de 2009 já dedicou uma verba de US$ 38,460 bilhões, frente aos US$ 18,290 bilhões no mesmo período de 2008.
As amortizações para melhorar as margens de crédito rondaram os US$ 2,6 bilhões, segundo detalhou o banco, que também abonou US$ 402 milhões que devia à Administração americana.
Isso contribuiu em parte para anular o avanço trimestral de mais de 32% registrado nas receitas do banco, que alcançaram os US$ 26,035 bilhões, pela controvertida integração ao Merrill Lynch, o banco adquirido por causa da crise do setor há um ano.
Ao longo de 2009, o Bank of America acumulou receita de US$ 94,567 bilhões, um avanço de 65% com relação ao faturamento nos nove primeiros meses de 2008.
O lucro, no entanto, no período caiu 40%, até os US$ 2,992 bilhões.
Os números divulgados nesta sexta-feira antes da abertura da Bolsa de Nova York foram piores do que os previstos pelos analistas, por isso os títulos já caíram 5% nas operações eletrônicas prévias à abertura do mercado.
Neste ano, as ações subiram 28%, embora nos últimos 12 meses despencaram 13%.
O executivo-chefe de Bank of America, Kenneth Lewis, que deve deixar o banco nos próximos meses, apontou ao apresentar os resultados que o negócio básico da entidade foi atingido por fatores colaterais, como os atrasos nos pagamentos dos cartões de crédito de alguns de seus clientes.
“Obviamente os custos do crédito seguem baixos e este será o nosso maior desafio financeiro nos próximos meses”, acrescentou Lewis.