Os bancos mais importantes do mundo, online reunidos hoje em Pequim, afirmaram que o dólar continuará sendo a principal moeda de reservas internacionais por muito tempo, apesar das sugestões de buscar alternativas para amenizar futuras crises financeiras.
“Se a pergunta é se a crescente importância do iuane (moeda chinesa) chegará a substituir o dólar, a resposta é que não acho que esse seja o objetivo dos funcionários chineses”, respondeu Charles Dallara, diretor-gerente do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), em entrevista coletiva.
O IIF, que representa os 390 maiores bancos do mundo, realizou desde ontem e até amanhã sua reunião de primavera.
Dallara reconheceu que o iuane (ou “renminbi”, “moeda do povo”, em mandarim) está adquirindo importância como resposta a “uma crescente integração da China no sistema financeiro na economia global”.
William Rhodes, presidente do Citibank, reconheceu, no entanto, que é muito provável que o “renminbi” seja cada vez mais usado em transações comerciais entre China e países da América Latina ou África, embora “isto aconteça de forma gradual”.
“Para mim, a última consequência de um sistema financeiro globalizado é uma divisa internacional”, disse Paul Volcker, presidente do conselho assessor para a recuperação econômica dos Estados Unidos e ex-presidente do Federal Reserve, em seu discurso, antes do banquete oferecido aos banqueiros no Grande Palácio do Povo em Pequim.
Essa divisa internacional está “longe da realidade, em um sentido formal. Enquanto ela não é criada, o dólar facilitou uma aproximação pragmática e de fácil conduta”.
O problema, concluiu Volcker, “é que não há alternativas práticas hoje e por muito tempo” ao dólar como divisa internacional.
A China, principal detentor do Tesouro americano, teme uma desvalorização do dólar, o que faria com que o país perdesse valor, em uma moeda que constitui aproximadamente 70% dos mais de US$ 2 trilhões da reserva de divisas chinesa, a maior do mundo.
“Acho que tem que ficar claro que a principal responsabilidade dos EUA -em seu próprio interesse, no da China, e no do resto do mundo- é manter tanto a capacidade de compra do dólar em casa e nos mercados internacionais, e em um sistema financeiro aberto e forte”, disse Volcker.