A Federação Bancária Francesa (FBF) manifestou hoje sua preocupação com uma iniciativa parlamentar, que conta com o apoio da esquerda, mas também da direita, para impor uma taxa suplementar aos bancos no imposto às sociedades, diante dos bons resultados após as ajudas estatais.
“Se esta disposição fosse adotada, reduziria a competitividade dos bancos franceses e da praça financeira de Paris, e enfraqueceria sua capacidade para investir e financiar as empresas e as pessoas no momento em que mais precisam”, afirmou a FBF, em comunicado.
Explicou que as entidades francesas “resistiram globalmente bem à crise e não se beneficiaram de planos de salvamento, como em outros países”.
Além disso, disse que as ajudas oferecidas pelo Estado francês representaram “cerca de 2 bilhões de euros” em juros pelos empréstimos para os fundos próprios, que estão reembolsando agora.
A reação dos bancos franceses responde à aprovação na quarta-feira pela Comissão de Finanças da Assembleia Nacional de uma emenda ao projeto de lei de orçamentos para 2010, que prevê uma taxa adicional de 10% no imposto à sociedades das entidades financeiras.
A ideia foi do presidente dessa comissão, o socialista Didier Migaud, mas os 20 votos a favor que recebeu (houve 11 contra) vieram não só de seu partido, mas também de uma parte da direita.
A questão será debatida no plenário da Assembleia na próxima semana, quando deve haver uma disputa mais inflamada, depois que o Governo e até o presidente francês, Nicolas Sarkozy, manifestaram sérias reservas, com argumentos semelhantes aos de hoje da FBF.