Os bancos centrais do sudeste asiático intervieram fortemente nesta quinta-feira nos mercados de divisas em uma tentativa de frear a queda do dólar frente a suas próprias divisas diante do temor que suas exportações percam competitividade em relação às da China.
Os países dessa zona se viram obrigados a defender a competitividade de suas moedas devido à decisão chinesa de voltar a vincular o iuane ao dólar desde julho do ano passado, informa hoje o diário britânico “Financial Times”.
“Outros bancos centrais diferentes do da China tratam de defender ativamente sua vantagem competitiva perante a força indesejada de suas moedas em relação com um dólar debilitado”, declarou ao jornal Simon Derrrick, do Bank of New York Mellon.
Após permitir que o iuane se valorizasse em aproximadamente 20% frente ao dólar desde meados de 2005, a China voltou a vincular o iuane ao dólar com a desaceleração de suas exportações.
Na quinta-feira, a moeda verde caiu a seus níveis mais baixos frente a uma série de divisas do sudeste asiático.
O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, lançou no mesmo dia uma advertência sobre a força do euro e explicou que as autoridades de ambos lados do Atlântico “cooperariam como o que considerassem apropriado”.
Apoiados na fraqueza do dólar, os preços do ouro alcançaram na quinta-feira um novo recorde histórico pelo terceiro dia consecutivo -US$1.058,2 a onça troy (31,104 gramas)-, o que representa uma alta de 6% desde 1º de outubro e de 20,5% desde princípios de ano.
Por sua vez, os preços de outros metais e o cobre cresceram 4% enquanto o do barril de petróleo o fez em 2%.
Segundo alguns especialistas, as intervenções dos bancos centrais asiáticos parecem ter como objetivo controlar o ritmo de depreciação do dólar e não só impedir a valorização de seus moedas.
Na quinta-feira, o dólar caiu a US$1.4817 em relação ao euro e a seu nível mais baixo dos últimos quatorze meses frente a um cesto de outras moedas.
Uma das moedas que mais se se valorizaram nos mercados de divisas foi o dólar australiano, que alcançou seu nível mais alto em quatorze meses contra o americano.