O secretário-geral da ONU, information pills Ban Ki-moon, pediu hoje ao Governo de Mianmar (antiga Birmânia) que “ponha o povo em primeiro lugar” em sua resposta ao desastre do ciclone “Nargis”, e assinalou que somente um terço das vítimas pôde ser ajudada até agora.
“Quero que conste minha profunda preocupação e minha imensa frustração com a inaceitável lentidão (do Governo birmanês) a responder perante esta grave crise humanitária”, disse Ban em entrevista coletiva na ONU.
Ele se referiu aos obstáculos impostos pela Junta Militar à entrega de ajuda internacional e ao acesso de voluntários ao país.
“Peço ao Governo de Mianmar nos termos mais enérgicos que ponha as vidas de seu povo na frente. Tem que fazer todo o possível para prevenir que esse desastre seja ainda mais sério”, destacou.
“Caso não se acelere a entrada de ajuda no país, podemos enfrentar um surto de doenças infecciosas”, apontou.
Ban indicou que, segundo dados do Governo birmanês, “há 34.460 pessoas desaparecidas”, mas as agências humanitárias internacionais “informam de números mais altos. As estimativas das pessoas em situação de risco estão em torno de 1,5 milhão”.
“Ressalto que agora não se trata de política, mas de salvar vidas, e não há mais tempo a perder”, afirmou Ban.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de que a partir da ONU sejam impostas sanções à nação asiática por sua lenta resposta perante o desastre, afirmou que “isso cabe ao Conselho de Segurança” da instituição.
A resposta do regime birmanês perante o desastre causado há 11 dias no sul do país pela passagem do ciclone tropical “Nargis” gerou críticas por parte da comunidade internacional.
“Estamos em um momento crítico”, comentou Ban, enquanto o subsecretário-geral para Assuntos Humanitários, John Holmes, indicou que já foram reportados casos de malária e diarréia que, por enquanto, não são urgentes.
A ONU lançou na sexta-feira um apelo internacional para arrecadar US$ 187 milhões para ajudar emergencialmente os birmaneses afetados pelo desastre.
Ban ressaltou que as Nações Unidas e suas agências especializadas estão “bem posicionadas” para ajudar com alimentos, água e remédios, assim como para consertar a infra-estrutura de transportes, comunicações e distribuição.
O secretário-geral acusou a Junta Militar birmanesa de continuar “infelizmente negando os vistos para a maior parte dos trabalhadores humanitários estrangeiros”, o que fez com que apenas 270 mil pessoas tenham recebido auxílio.
“Demos a assistência mais primária, mas fomos incapazes de levar mais apoio logístico”, devido à recusa do regime militar birmanês, apontou.
Segundo dados do Programa Mundial de Alimentos (PMA), disse Ban, o volume de ajuda alimentícia que chegou aos birmaneses “é menos de um décimo do necessário. As reservas de arroz no país estão a ponto de terminar”.
Durante o fim de semana e a primeiras horas da segunda-feira, aviões com assistência humanitária conseguiram chegar até Yangun, após os primeiros gestos da ditadura birmanesa de levantar algumas das restrições à entrada de estrangeiros no país.
“É preciso muito mais”, afirmou Ban, que ressaltou que durante o fim de semana tentou ligar, pela segunda vez, para o general Than Swe, para pedir que coopere com a comunidade internacional e a ONU.
No entanto, “não pude contatá-lo e esta manhã enviei uma carta”, a segunda ao governante do país desde que o ciclone atingiu a nação.
“Espero que o Governo (birmanês) emita em breve os vistos. É preciso fazer muito, são necessárias grandes operações logísticas para ajudar os mais afetados, e se requer especialização. Mianmar não pode fazer isso sozinho”, afirmou.