O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, defendeu nesta terça-feira uma transição “ordenada” rumo à democracia no Egito, para que o país mantenha o “papel-chave” que desempenhou para a paz no Oriente Médio sob a Presidência de Hosni Mubarak.
“O papel estratégico que o Egito desempenhou no processo de paz do Oriente Médio deve ser preservado. É por isso que peço que a transição seja ordenada e pacífica, para que não haja um súbito impacto negativo”, disse Ban ao fim de uma reunião com o Conselho de Segurança.
Para o secretário-geral da ONU, a participação do Egito é crucial para impulsionar o processo de paz entre palestinos e israelenses, estagnado após a negativa de Israel em interrromper as construções em seus assentamentos em território ocupado.
“O próprio presidente Mubarak desempenhou um papel-chave neste processo”, insistiu o principal responsável das Nações Unidas, que renovou a chamada para que não se produza mais violência nos protestos populares contra o Governo egípcio.
Ban novamente evitou manifestar sua opinião sobre se o líder do Egito deve abandonar o poder, assinalando que é algo que deve ser decidido pela “liderança egípcia e seu povo”.
“O Governo egípcio iniciou conversas (com a oposição) e espero que, em primeiro lugar, acalmem a situação e reflitam os desejos e a vontade do povo”, indicou.
O secretário-geral da ONU assinalou que se reuniu com o embaixador egípcio na ONU, Maged Abdelaziz, depois de o diplomata ter expressado seu mal-estar pelas declarações de Ban sobre a situação no Egito há alguns dias.
Segundo explicou, se tratou de “um mal-entendido” sobre suas palavras, nas quais manifestou o desejo de as autoridades escutarem as queixas da população e atuarem o mais rápido possível.
“O futuro do seu país e do processo de transição é algo que deve ser decidido por sua gente”, acrescentou.
À imprensa, o embaixador egípcio disse ter aceitado as explicações do secretário-geral e assegurou que o atual Governo iniciou as mudanças reivindicadas seguindo os processos estabelecidos pela Constituição.
A mobilização para exigir a saída de Mubarak recuperou nesta terça-feira o brio que parecia ter perdido nos últimos dias, com uma grande manifestação na qual as famílias voltaram a tomar o centro do Cairo.