“Manifestei minha insatisfação com este artigo, que faz reflexões de Fidel, mas que, sem dúvida, ultrapassa o campo da maneira de como os países se relacionam”, disse Bachelet, que afirmou que comunicou seu mal-estar ao presidente cubano, Raúl Castro.
O governante chilena fez estas declarações aos jornalistas ao chegar hoje, por voltas 9h de Brasília, a Santiago, após a visita oficial de 72 horas que realizou à ilha, onde na quinta-feira passada se reuniu com Fidel Castro.
Após esse encontro, Fidel manifestou em artigo que há mais de um século a “oligarquia” chilena “tomou da Bolívia, na guerra de 1879, a costa marítima que lhe dava amplo acesso ao Oceano Pacífico”.
“A Bolívia sofreu uma extraordinária humilhação histórica naquela disputa”, afirma o ex-presidente cubano, de 82 anos, que ontem especificou que esta afirmação corresponde a “uma opinião pessoal”.
A governante chilena ressaltou que “só Chile e Bolívia conversam sobre os temas que correspondem a ambos os países”, uma relação baseada em uma agenda de 13 pontos estabelecida em 2006 e que melhorou as relações entre os dois, que não têm vínculos diplomáticos desde 1978.
O presidente boliviano, Evo Morales, agradeceu ontem o apoio do ex-presidente cubano à demanda de seu país e destacou que as atuais relações com o Chile estão marcadas pela “confiança” para resolver esse “problema histórico”.