Nidal Malik Hassan se mantém em condição “crítica, mas estável” no hospital militar Brooke, de San Antonio, após receber quatro disparos durante o tiroteio. Desde sábado, ele tem conversando com a equipe média, quando retiraram o respirador artificial, disse hoje à imprensa local o porta-voz Dewey Mitchell.
Mitchell não confirmou, no entanto, se o suspeito foi interrogado com relação a sua participação no massacre.
As autoridades investigam os motivos que levaram Hassan, um solitário psiquiatra de 39 anos que trabalhava na base de Fort Hood, a maior do país, a abrir fogo no centro de preparação militar e matar 12 soldados e um civil.
Segundo “The Washington Post”, a pista mais recente da motivação para o crime seriam os laços do suspeito com o imame americano Anwar al-Aulaqi, suposto fomentador da Al Qaeda no país.
Aulaqi, acusado de manter contato com dois responsáveis pelos atentados de 11 de setembro de 2001 e de defender os ataques terroristas, foi o “mentor espiritual” de Hassan na mesquita de Falls Church, na Virgínia, há oito anos.
Embora a teoria principal continue sendo que Hassan atuou sozinho e sem instigadores, registros em seu computador e de suas contas de e-mail revelam visitas a diversos sites de ideais islâmicos, conforme as autoridades.
Além disso, Aulaqi publicou hoje um post em seu blog intitulado “Hassan fez o correto”, no qual o descreve como um “herói” que não suportou “a contradição de ser muçulmano e servir a um Exército que está lutando contra seu próprio povo”.
Nos últimos dias, se multiplicaram as acusações que associam Hassan ao extremismo islâmico e que atribuem a ele um discurso antiamericano.
Segundo a cadeia “ABC”, que cita o congressista republicano Pete Hoekstra, as agências de inteligência estavam acompanhando o movimento “há meses” das tentativas do suspeito de entrar em contato com simpatizantes da Al Qaeda.
O presidente da Comissão de Segurança Nacional do Senado dos Estados Unidos, Joseph Lieberman, afirmou no domingo em entrevista ao canal “Fox News” que há sinais claros que o massacre foi um atentado terrorista.
Como exemplo, Lieberman citou comentários que supostamente foram postados em sites nos quais se justificava aos terroristas.
Além disso, antes de iniciar o massacre, conforme contaram testemunhas, Hassan gritou “Allahu Akbar!”, que significa “Deus é grande” em árabe, uma expressão que “foi corrompido pelos extremistas”, segundo Lieberman, que informou que iniciará uma investigação com relação ao comitê.
O general George Casey, chefe de pessoal do Exército, pediu “cautela” nas acusações até que se determine se Hassan atuou ou não com motivos políticos ou, ainda, por problemas pessoais.
O general Bob Cone, responsável pela base de Fort Hood, se negou a fazer comentários sobre a investigação das autoridades, em entrevista coletiva na qual forneceu detalhes sobre a cerimônia que será realizada amanhã em homenagem às vítimas e à qual, disse, espera que participem a maioria dos feridos.
A cerimônia contará com a presença do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.