“Não há causas específicas que possam explicar a morte”, disse o procurador em entrevista coletiva, ao término da autópsia preliminar, insistindo em que que, “por enquanto, não pode ser descartada” nenhuma hipótese.
Alacchi disse que o corpo não apresentava sinais de hemorragia, e que não sofreu um infarto nem uma hemorragia cerebral que pudessem explicar a morte, e o foco agora é em análises toxicológicas de substâncias encontradas no corpo de Sébire.
“Por isso, pedimos uma análise toxicológica (dessas substâncias), que levará várias semanas (…). Vamos tentar quantificá-las e comprovar se podem estar na origem de sua morte, algo que não podemos afirmar, por enquanto”, disse.
O procurador considerou “normal” que tenham sido encontradas substâncias no corpo da francesa, já que a paciente tomava muitos remédios, e disse que os exames, que podem durar várias semanas, tentarão determinar a natureza desses produtos.
Sem descartar a morte natural da francesa, o Alacchi disse que “o tumor que sofria a consumia e a debilitava, mas não é impossível que, em seu estado, pudesse ter vivido alguns dias e inclusive algumas semanas”.
Sébire, uma professora de 52 anos, tinha um tumor nasal que provocava muitas dores e a tinha deixado cega, e apareceu morta em seu domicílio na quarta-feira, dois dias depois de a Justiça negar seu pedido para uma eutanásia ativa.
Contrariando a vontade dos parentes de Sébire, o procurador ordenou a realização da autópsia, depois que o médico que certificou sua morte se negou a assinar o atestado de óbito.
“A Justiça deve saber se sua morte foi natural ou se alguém ajudou-a a colocar fim a seus dias”, disse o procurador.
O advogado da paciente, Gilles Antonowicz, considerou “vergonhoso” a realização da autópsia do cadáver, e tinha pedido “respeito à falecida e sua família”.