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Mundo

Aumento das temperaturas eleva risco de Chikungunya na Europa

Estudo científico alerta para maior propagação do vírus transmitido por mosquitos no sul do continente devido ao aquecimento global.

Redação Jornal de Brasília

18/02/2026 12h33

chikunguya

Foto: Reprodução

Um estudo científico publicado no Journal of Royal Society Interface alerta que o aumento global das temperaturas deve impulsionar mais infecções pelo vírus Chikungunya nos próximos anos. Transmitido principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, o vírus causa dores intensas nas articulações que podem durar anos e é potencialmente fatal em crianças e idosos.

A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (18) pelo jornal britânico Guardian, identifica maior risco de epidemias no sul da Europa, especialmente em Albânia, Grécia, Itália, Malta, Espanha e Portugal. Segundo os autores, o aquecimento global está permitindo a sobrevivência e reprodução dos mosquitos durante todo o ano nessas regiões, onde outrora os invernos frios atuavam como barreira.

A análise revela que a temperatura mínima para incubação do vírus no Aedes albopictus é de 2,5°C, substancialmente inferior às estimativas anteriores de 16°C a 18°C. A temperatura máxima favorável à transmissão varia entre 13°C e 14°C, ampliando o período e o alcance dos surtos potenciais para mais 29 países, incluindo grande parte da Europa.

O vírus, detectado pela primeira vez em 1952 na Tanzânia, não se transmite diretamente de pessoa para pessoa, mas há casos documentados de transmissão de mãe para filho durante a gravidez ou perinatal, e por transfusões de sangue contaminado. No ano passado, França e Itália registraram centenas de casos, após anos com poucas ocorrências na Europa.

Sandeep Tegar, autor principal do estudo do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia (UKCEH), destacou ao Guardian que o ritmo de aquecimento na Europa é o dobro da média global, tornando a propagação uma questão de tempo para regiões mais ao norte. A Dra. Diana Rojas Alvarez, da Organização Mundial da Saúde (OMS), enfatizou que até 40% das vítimas podem sofrer artrite ou dores agudas cinco anos após a infecção.

Especialistas recomendam maior vigilância, controle de mosquitos e educação da população europeia. Medidas incluem eliminar água parada, usar roupas compridas e claras, repelentes e criar sistemas de monitoramento para a doença, evitando assim uma expansão ainda maior.

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