Várias organizações de defesa dos direitos humanos e movimentos opositores denunciaram nesta quarta-feira a “detenção ilegal” de centenas de manifestantes pela Polícia durante os protestos do dia anterior contra a situação política e econômica.
“Queremos saber por que essas pessoas foram detidas, onde estão e pelo que foram acusadas? Não podemos aceitar que a Polícia detenha-as e a gente não saiba onde estão”, justificou à Agência Efe o ativista George Ishaq.
A denúncia foi feita hoje quando se confirmou uma quarta vítima, um civil, que morreu em um hospital da localidade de Suez por causa dos ferimentos recebidos nos protestos de terça-feira. Com este caso, já são três civis e um policial os mortos até agora.
Ishaq e mais 30 ONGs e ativistas políticos, denunciou em comunicado que a polícia mantém centenas de detidos em “centros da Segurança Central e nas províncias”.
No comunicado, garantem que os policiais proibiram os advogados de várias ONGs de entrarem em contato com alguns feridos, alguns dos quais em estado grave, segundo os signatários.
Além disso, as autoridades cortaram as linhas de telefones celulares de alguns ativistas durante o protesto, acrescentaram.
Em reunião mantida nesta manhã no centro pró-direitos humanos Hisham Mubarak vários ativistas opositores de distintas correntes prepararam uma demanda para exigir às autoridades que anunciem o paradeiro dos detidos e que sejam libertados.
Enquanto ocorria a reunião, os trabalhadores da ONG não paravam de responder às ligações telefônicas de familiares que denunciavam o desaparecimento de seus filhos durante os protestos de terça.
Para Mohammed Abdel Qadus, um militante dos Irmãos Muçulmanos que participou do encontro, os protestos do dia anterior representam “uma grande vitória”.
“Na manifestação de terça, o sonho que tínhamos há muito tempo, de o povo ir às ruas protestar. Pessoas normais, afastadas da política e dos partidos. Isto é o estilo tunisiano, o povo foi o protagonista”, disse a Efe.
Qadus acredita que “o ocorrido na terça é só o começo, não acabou e pode repetir-se”.
Um dos dirigentes da assembleia da mudança do prêmio nobel da paz Mohamed ElBaradei, Hamdi Qandil, mostrou a mesma postura que Qadus e declarou à Efe que a manifestação de terça expressou “a grande ira do povo egípcio”.
Qandil denunciou o fato de que o Ministério do Interior terem insistido que os Irmãos Muçulmanos estivessem por trás do protesto e considerou que esta afirmação era “humilhante para o povo egípcio”.
“A onda de ira de terça-feira foi espontânea e coordenada por jovens e não por nenhum partido político. Foi organizada pelos jovens e através da internet”, insistiu Qandil.
Qandil criticou um comunicado do Ministério do Interior no qual nega que os participantes das manifestações do dia anterior chegassem aos milhares.
Para Qandil, o Ministério, que não ofereceu números e limitou-se a dizer que a maior concentração foi no Cairo, cerca de 10 mil pessoas, segundo suas estimativas “tentando falsear a realidade”.
Conforme as estimativas das autoridades de Interior, um policial morreu e 18 oficiais e 85 agentes ficaram feridos.
Em nota, o Ministério pediu aos cidadãos que se afastem das tentativas de “provocar o caos” e avisou a adoção de medidas legais com os detidos.