No mesmo dia em que o novo presidente de Honduras, Porfírio “Pepe” Lobo Sosa, assume o país prometendo anistiar os envolvidos no golpe de Estado que afastou Manuel Zelaya do poder, um movimento social hondurenho reafirmam que não reconhece o novo governo.
A presidente da Frente Nacional de Resistência Popular, Lorena Zelaya (que não tem nenhuma ligação com o ex-presidente), disse hoje (27), no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, que as classes populares continuarão “em resistência” e só aceitam trabalhar ao lado do “Pepe” Lobo na convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.
“Não reconhecemos o novo governo porque é a continuidade do golpe ”, afirmou. “Não vamos fazer qualquer outro diálogo a não ser em favor de uma assembleia, da qual participe todos os setores populares, que são a maioria da população”.
De acordo com Lorena Zelaya, a “luta mudou de modalidade”. “Não é que o povo está deixando as ruas. É que não [ocuparemos as ruas] com a mesma frequência e intensidade dos 194 dias do golpe, em que a população se manifestava de manhã, de tarde e de noite, todos os dias”, afirmou.
A ativista também relatou que as últimas eleições ocorreram sobre forte constrangimento e denunciou evidências de fraudes. “Dizem que foi a eleição mais votada de toda a história, mas constatamos uma série de contradições como a ausência de pessoas na rua”.
O governo brasileiro também não reconhece a eleição do novo presidente de Honduras e impõe condições para reatar as relações diplomáticas, rompidas desde 28 de junho de 2009.
Além de defender a convocação de uma Assembleia Consituinte, Lorena Zelaya disse que a Frente Nacional de Resistência, que reúne intelectuais, advogados, artistas, estudantes e camponeses vai cobrar esclarecimentos sobre mortes, torturas, desaparecimentos e prisões, durante o golpe.
“A luta continua. Não vai terminar em curto tempo, mas será pacífica”, concluiu.