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Mundo

Ativista é presa durante visita de relator brasileiro a Mianmar

Arquivo Geral

13/11/2007 0h00

As autoridades de Mianmar prenderam hoje a ativista democrata Su Su Nway, medical agraciada em 2006 com o prêmio John Humphrey de liberdade, enquanto o relator das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Mianmar, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, realiza uma visita oficial ao país, informou a rádio “Mizzina”.

Nway faz parte da Liga Nacional pela Democracia (LND), o partido político liderado pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, e foi detida quando tentava colocar um cartaz perto do hotel de Yangun no qual está hospedado o relator da ONU, que chegou a Mianmar no domingo.

Com a ativista, de 34 anos, foram presas outras duas pessoas, aparentemente monges budistas, segundo fontes do movimento dissidente Geração 88.

Em outubro de 2005, Su Su Nway foi condenada a 18 meses de prisão por ativismo político e libertada ao cumprir metade da pena, aparentemente em função do seu delicado estado de saúde.

O relator brasileiro visitou na segunda-feira a prisão de máxima segurança Insein, onde estão centenas de presos políticos, e hoje tinha previsto viajar para Napydaw, a capital administrativa, para conversar com vários membros do Governo militar.

A visita de cinco dias de Pinheiro ocorre uma semana depois da feita pelo enviado especial das Nações Unidas para Mianmar, Ibrahim Gambari, que esteve com vários altos cargos da Junta Militar e da oposição liderada por Suu Kyi, em prisão domiciliar desde 2003.

O diplomata brasileiro não tinha sido autorizado a visitar o país desde o começo do ano, quando interrompeu repentinamente uma missão em Mianmar ao descobrir microfones ocultos quando conversava com presos políticos.

No início de novembro, o Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu às autoridades birmanesas que permitissem uma visita do relator especial a fim de investigar o balanço real da repressão das manifestações.

Tanto o organismo mundial como a Anistia Internacional calculam que mais de mil cidadãos birmaneses já estavam presos por motivos políticos antes do início da repressão aos protestos pacíficos pelas forças de segurança, em 26 de setembro.

Desde então, o regime só admitiu o total de dez mortos e quase 3 mil detidos, das quais afirmou ter posto em liberdade a grande maioria, mas a dissidência sustenta que 200 pessoas morreram e outras 6 mil foram presas.

Mianmar (antiga Birmânia) está sob controle dos militares desde 1962 e não realiza eleições parlamentares desde 1990, quando o partido oficial sofreu uma forte derrota para a oposição liderada por Suu Kyi, embora os resultados não sejam reconhecidos pelos generais.

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