A ativista iraniano-americana Hale Esfandiari, this acusada de “agir contra a segurança nacional”, e libertada há 13 dias, após o pagamento de fiança, conseguiu deixar o Irã, confirmou hoje um de seus advogados, Abdolfatah Soltani.
Soltani, citado pela agência oficial “Isna”, assegurou que Hale Esfandiari deixou o país no último domingo, possivelmente em direção à Austrália, depois que o juiz encarregado de seu caso aceitou um pedido da ativista para reaver seu passaporte.
A viagem de Hale foi confirmada também por fontes judiciais iranianas, que afirmaram que “a ordem que a proibia de viajar ao exterior foi automaticamente suspensa com a decisão do juiz”.
As fontes disseram que, segundo as leis iranianas, “qualquer acusado que tenha saído da prisão pagando uma fiança pode também sair do país”, com a condição de que volte ao Irã quando for intimada pela Justiça.
Hale Esfandiari, de 67 anos, havia sido presa quando chegava a Teerã, no dia 8 de maio, para visitar sua mãe, de 93 anos. Ela foi liberada no dia 21 de agosto, após pagar uma fiança de três bilhões de riales iranianos (cerca de US$ 322 mil).
Fontes iranianas não descartaram a possibilidade de que o sociólogo iraniano-americano Kian Tajbakhsh também seja libertado, após o pagamento de fiança, mas não deram mais detalhes sobre o caso.
As autoridades acusam os ativistas de “prejudicar a segurança do Estado através de atividades de informação e de espionagem para os estrangeiros”.
No dia 12 de agosto, um porta-voz iraniano anunciou o fim das investigações sobre ambos os casos, e disse que o Poder Judiciário, controlado pelos conservadores, estava se preparando para decidir sobre o destino dos dois ativistas.
Em meados de julho, a televisão estatal transmitiu um programa no qual os dois ativistas comentavam a natureza de seus trabalhos em centros de pesquisa americanos sobre o Irã.
As declarações foram qualificadas como “confissões” pelas autoridades de Teerã.
As detenções de Hale Esfandiari e Tajbakhsh foram duramente criticadas pelo Governo americano.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu, em junho, a libertação “imediata e incondicional” de ambos, o que foi rejeitado por Teerã, que considerou o pedido uma “ingerência nos assuntos internos do Irã”.
Em maio, diversas organizações internacionais de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, pediram ao Irã que libertasse os dois ativistas. Já a advogada e ativista iraniana, Shirin Ebadi, vencedora do prêmio Nobel de Paz de 2003, expressou sua “preocupação com o estado de saúde de Hale Esfandiari”.