Os conflitos no Oriente Médio, desencadeados por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, causaram o deslocamento de mais de 275 mil pessoas em países como Irã, Afeganistão, Líbano e Paquistão, segundo a Organização das Nações Unidas.
De acordo com dados da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), desde o último sábado (28/2), pelo menos 100 mil pessoas fugiram de suas casas no Irã, majoritariamente da capital Teerã, de onde saem aproximadamente mil a 2 mil veículos por dia em direção ao norte, conforme a polícia de trânsito iraniana. No Afeganistão, envolvido em conflito com o Paquistão, 115 mil pessoas foram deslocadas. No Líbano, hostilidades entre Israel e o Hezbollah forçaram 58 mil indivíduos a abandonarem seus lares, segundo a Acnur, enquanto o Programa Alimentar Mundial estima 65 mil.
No Paquistão, o número chega a 2,6 mil deslocados. Essas áreas já abrigam cerca de 24,6 milhões de deslocados preexistentes, com enormes necessidades humanitárias compartilhadas pelas comunidades de acolhimento.
Na terça-feira (3), a Acnur alertou que a escalada da guerra contra o Irã ameaça sobrecarregar a capacidade humanitária no Oriente Médio, que está praticamente no limite.
O conflito teve início no sábado (28/2), quando EUA e Israel bombardearam Teerã, pela segunda vez em oito meses, em meio a negociações sobre o programa nuclear e balístico iraniano. Foram confirmadas mortes de autoridades iranianas, incluindo o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
Em retaliação, o Irã disparou mísseis contra países árabes do Golfo com presença militar dos Estados Unidos, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.
O histórico das tensões remonta à saída dos EUA do acordo nuclear de 2015, firmado sob Barack Obama, durante o primeiro governo de Donald Trump. Israel e EUA acusam Teerã de buscar armas nucleares, enquanto o Irã defende que seu programa é pacífico e se dispõe a inspeções internacionais. Israel, por sua vez, nunca permitiu inspeções em seu próprio programa nuclear, apesar de acusações de possuir bombas atômicas.
Ao assumir seu segundo mandato em 2025, Trump intensificou as exigências contra Teerã, demandando o desmantelamento do programa nuclear, o fim do programa de mísseis balísticos de longo alcance e o término do apoio a grupos como Hamas, na Palestina, e Hezbollah, no Líbano.