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Ataque russo deixa milhares de prédios sem calefação em Kiev a -14°C

Bombardeio com drones e mísseis atinge infraestrutura energética, mata ao menos uma pessoa e amplia crise humanitária na capital ucraniana

Redação Jornal de Brasília

20/01/2026 14h56

Foto: Genya Savlov / AFP

Foto: Genya Savlov / AFP

Um ataque russo na madrugada desta terça-feira (20) deixou mais de 5.600 edifícios residenciais sem calefação em Kiev, enquanto as temperaturas na capital ucraniana giram em torno de -14°C.

O bombardeio de centenas de drones e mísseis matou ao menos um homem de 50 anos perto da capital.

Jornalistas da AFP em Kiev ouviram sirenes de alerta aéreo e explosões enquanto os sistemas de defesa ucranianos respondiam aos drones e mísseis.

Marina Sergienko, uma contadora de 51 anos que se abrigou em uma estação de metrô no centro da capital, está convencida de que os ataques russos têm um propósito claro.

“Desgastar as pessoas, levar as coisas a um ponto crítico para que não reste força, para quebrar nossa resistência”, disse Sergienko à AFP sobre a série de ataques que deixaram milhões de pessoas na escuridão e no frio nas últimas semanas.

O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, atacou o presidente russo, Vladimir Putin.

“O criminoso de guerra Putin continua travando uma guerra genocida contra mulheres, crianças e idosos”, afirmou.

O ministro assegurou que as forças russas atacaram a infraestrutura energética durante a noite em pelo menos sete regiões e instou os aliados da Ucrânia a reforçarem seus sistemas de defesa aérea.

“O apoio ao povo ucraniano é urgente. Não haverá paz na Europa sem uma paz duradoura na Ucrânia”, escreveu nas redes sociais.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, sugeriu que poderia se ausentar do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, para lidar com as consequências do ataque.

Mas manteve aberta a possibilidade de comparecer ao encontro de líderes mundiais na estação suíça caso os acordos com os Estados Unidos sobre seu possível apoio econômico e de segurança no pós-guerra estejam prontos para serem assinados.

– Sem calefação –

A Rússia lançou cerca de 339 drones de combate de longo alcance e 34 mísseis no ataque noturno, informou a força aérea de Kiev.

Zelensky afirmou que a Ucrânia só recebeu um carregamento de munições para sistemas de defesa aérea na véspera do ataque.

Na madrugada de 9 de janeiro, a Rússia já havia realizado um de seus piores ataques à rede energética de Kiev desde que invadiu o país há quase quatro anos.

Esse ataque deixou metade da capital sem aquecimento e muitos moradores sem eletricidade por dias, sob temperaturas glaciais.

Desde então, cerca de 600 mil pessoas fugiram de Kiev após um apelo da prefeitura para evacuar provisoriamente a capital ucraniana, onde metade dos edifícios está sem aquecimento, disse o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, à AFP nesta terça-feira.

As escolas permanecem fechadas até fevereiro e as luzes das ruas foram reduzidas na tentativa de preservar os recursos energéticos.

“Depois deste ataque [da madrugada de terça-feira], 5.635 edifícios residenciais estão sem aquecimento”, disse o prefeito no Telegram.

– Ataques a outras regiões –

Outras regiões ucranianas, em particular Odessa (sul), Rivne (oeste) e Vinnytsia (centro-oeste), também sofreram bombardeios contra suas infraestruturas energéticas durante a noite, segundo autoridades locais.

A companhia estatal de energia Ukrenergo anunciou cortes emergenciais de eletricidade para estabilizar o sistema.

Na região de Rivne, mais de 10 mil lares ficaram sem eletricidade, anunciou a administração regional.

A Rússia bombardeia o sistema energético da Ucrânia desde o início de sua invasão. Kiev considera isso uma tentativa de minar o moral e enfraquecer a resistência dos ucranianos.

O Kremlin afirma que ataca apenas instalações militares ucranianas e responsabiliza Kiev pela continuidade da guerra, por se recusar a aceitar suas exigências.

AFP

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