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Assessor de Bush depõe no Senado mas cumpre ordem de não revelar informações

Arquivo Geral

02/08/2007 0h00


Um dos dois assessores do presidente dos Estados Unidos convocados para depor nesta quinta-feira no Comitê de Justiça do Senado sobre a demissão de promotores acatou a ordem de George W. Bush de invocar o “privilégio executivo” para impedir que seus funcionários divulguem informações confidenciais.

Trata-se de Scott Jennings, viagra order principal assistente do conselheiro político de Bush, Karl Rove, que também devia ter prestado depoimento hoje no mesmo Comitê, mas não compareceu, cumprindo ordens da Casa Branca.

Jennings foi autorizado a ir, mas com restrições, as quais deixou claro para os legisladores quando chegou ao Senado. Ele explicou que não podia falar sobre a demissão de oito promotores federais que, de acordo com a oposição democrata, aconteceu por motivações políticas.

“Estou com 29 anos e no meio de uma luta constitucional entre dois lados do poder”, disse o assessor. Ele lembrou aos senadores que recebeu uma carta dos serviços jurídicos da Casa Branca, pela qual foi informado sobre a decisão de apelar ao privilégio presidencial.

Na carta “recebi ordens para não testemunhar ou apresentar documentos sobre considerações, deliberações ou comunicações internas ou externas da Casa Branca relacionadas com a possível demissão ou nomeação de promotores dos EUA”, acrescentou.

Após afirmar que, se o presidente tomar uma decisão contrária, estará disposto a responder a todas as perguntas que façam, Jennings esclareceu que agora é obrigado a “obedecer à diretriz de Bush”.

Não é a primeira vez que os membros do Comitê Judicial do Senado se encontram numa situação similar. A ex-diretora política da Casa Branca, Sara Taylor, também testemunhou limitada pelo “privilégio executivo”.

O presidente do Comitê, o democrata Patrick Leahy, chamou a manobra de vergonhosa porque demonstra que a Casa Branca continua agindo como se estivesse “acima da lei”, protegendo seus funcionários com imunidade.

Leahy reiterou a proposta ao Governo de buscar uma solução para que o Senado investigue as causas que motivaram a demissão dos promotores. O senador republicano Arlen Specter tem a mesma opinião e ressaltou a necessidade de chegar a um acordo com a Casa Branca para completar a investigação e esclarecer questões importantes.

Entre elas, o papel do secretário de Justiça, Alberto Gonzales, no caso. Ele está sendo investigado por ter cometido perjúrio no depoimento ao Congresso.

Karl Rove é outro personagem de extrema importância no escândalo. Sua ausência no Comitê foi o assunto de grande parte das discussões de hoje no Senado.

Durante a intervenção, o democrata Richard Durbin se dirigiu a Jennings: “Onde está Karl Rove? Por que põe um jovem subordinado na linha de fogo, enquanto ele se esconde atrás das cortinas da Casa Branca?”

“Disseram a Rove para não comparecer”, explicou o assessor jurídico da Casa Branca, Fred Fielding, em carta enviada ao presidente do Comitê Judicial da Câmara Alta para informar sobre a decisão de Bush de invocar o “privilégio executivo”.

Segundo Fielding, não se pode obrigar o “assistente imediato do presidente” a depor. Ele já esteve na mira dos democratas durante a investigação do chamado “caso Plame”, relativo ao vazamento para a imprensa do nome de uma agente da CIA.

Agora Rove é investigado pela suspeita de ter proposto a demissão de oito dos 93 promotores federais dos EUA, responsáveis por cumprir as leis em seus respectivos distritos, que são nomeados pelo presidente para períodos de quatro anos.

Normalmente, os promotores sobem ao cargo por recomendações de líderes políticos em cada estado e permanecem até que o Executivo decida o contrário.

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