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Assassino de Shinzo Abe é condenado a prisão perpétua no Japão

Tetsuya Yamagami recebe sentença por homicídio premeditado contra o ex-primeiro-ministro em 2022, motivado por ressentimentos com seita religiosa.

Redação Jornal de Brasília

21/01/2026 12h32

Foto: Reprodução/Agência Brasil

Tetsuya Yamagami, de 41 anos na época do crime, foi condenado à prisão perpétua nesta quarta-feira (21) por um tribunal japonês pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe. O juiz Shinichi Tanaka descreveu o ato como premeditado e desprezível, ocorrido durante um comício eleitoral em Nara, no dia 8 de julho de 2022.

Yamagami disparou uma arma improvisada contra Abe enquanto o político discursava em uma rua da cidade. O projétil atingiu o pescoço da vítima, que faleceu horas depois. Abe, que liderou o Japão de 2012 a 2020 e teve um mandato anterior entre 2006 e 2007, era uma figura central na política conservadora, mesmo após renunciar por motivos de saúde.

O crime revelou conexões profundas entre a Igreja da Unificação e a elite política japonesa. Yamagami agiu motivado por ressentimentos pessoais: sua mãe doou cerca de 100 milhões de ienes (equivalente a 850 mil euros à época) para a seita, o que levou a família à falência e à morte de seu irmão por suicídio. O réu via a igreja como responsável por arruinar sua vida e escolheu Abe como alvo por suas ligações com a organização.

A investigação expôs que Abe e outros membros do Partido Liberal Democrata (PLD) mantinham relações com a igreja. Uma lista divulgada pelo tabloide Nikkan Gendai identificou 111 parlamentares com conexões, levando à renúncia de quatro ministros. O PLD admitiu que quase metade de seus 379 membros teve algum contato com a seita. Além disso, 290 legisladores provinciais e sete governadores foram ligados à organização.

O impacto do caso foi amplo: em abril de 2023, um tribunal ordenou a dissolução da filial japonesa da Igreja da Unificação por danos causados à sociedade. Em 2024, novas leis endureceram as regras sobre armas, impondo penas de até um ano de prisão por divulgar instruções de fabricação ou venda nas redes sociais.

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