A morte de Mugniyah ocorre um dia antes de se completarem três anos do assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri.
Até o meio-dia de hoje, medicine o Governo israelense não fez nenhum comentário às acusações do Hisbolá. “Não há reação alguma e não acho que haverá ao longo do dia”, page disse hoje à Agência Efe Mark Regev, order porta-voz do Escritório do Primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert.
A Síria também não fez referência ao atentado cometido em seu próprio território.
Um ex-chefe dos serviços secretos israelenses (Mossad), Danni Yatom, descreveu Mugniyah – em declarações reproduzidas pela “Al Jazira” – como o segundo líder do Hisbolá após o xeque Hassan Nasrallah, que também vive na clandestinidade por ser alvo de Israel.
O ex-chefe do Mossad, sem confirmar a autoria do atentado contra Mugniyah, classificou sua morte como “uma grande conquista militar, seja quem for que tiver feito”.
O dirigente do Hisbolá era um dos homens mais procurados pelos EUA e Israel, e era considerado um dos pilares da estrutura militar da organização xiita.
Na nota do Hisbolá, divulgada pela emissora “Al-Manar”, vinculada ao grupo, não foram especificadas as circunstâncias nem o local do atentado, apesar de tudo indicar que Mugniyah perdeu a vida em conseqüência da explosão de um carro-bomba em Damasco.
O comunicado também não explicou a posição ocupada no Hisbolá por Mugniyah (também conhecido por seu pseudônimo, “Hajj Radwan”), embora anteriormente ele tenha sido identificado como o chefe dos serviços de inteligência do partido e da ala militar do grupo.
“Com orgulho, lamentamos a morte de um grande líder da resistência islâmica após uma longa vida de jihad, Imad Mugniyah, que caiu como um mártir nas mãos dos sionistas israelenses”, diz o comunicado.
Após o anúncio, a “Al-Manar” interrompeu sua programação e passou a transmitir sessões de oração do Corão, como é habitual no mundo muçulmano em caso de morte de personalidades importantes.
Segundo o Hisbolá, Mugniyah foi o alvo “dos sionistas e dos países arrogantes por mais de duas décadas”.
“Foi um soldado desconhecido que viveu como um grande homem e morreu como um mártir. Teve muita coragem e sempre representou um desafio para Israel”, disse o vice-presidente do Conselho Superior Xiita libanês, xeque Abdel Hamid Qabalan, após ser informado do atentado.
O Hisbolá anunciou que hoje começará a receber condolências pela morte de Mughaniya, e que amanhã realizará funeral solene, no qual está prevista presença maciça, dado o poder de convocação do grupo.
O funeral coincidirá com outro luto dos rivais do grupo xiita, pois as chamadas “Forças do 14 de março” convocaram seus partidários para uma concentração amanhã para lembrar os três anos do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri.
Há apenas dois dias, o Exército libanês anunciou uma série de medidas para garantir a ordem pública no país amanhã: entre elas, a proibição do porte de armas e de tiros para o alto (costume comum em vários países do Oriente Médio por ocasião de festas e funerais).
As “Forças do 14 de março”, liderados por Saad Hariri, filho do ex-primiê, o primeiro-ministro Fouad Siniora e o deputado druso Walid Jumblatt foram os que mais sofreram até agora com os atentados cometidos no Líbano contra personalidades anti-sírias.
No entanto, o atentado da terça-feira em Damasco não só transfere ao território sírio o conflito do Líbano, como demonstra que o movimento xiita libanês não é completamente sólido.