O fundador do Wikileaks, Julian Assange, chegou na manhã desta segunda-feira ao tribunal londrino que trata o pedido de extradição por parte da Suécia por supostos crimes sexuais.
A defesa de Assange adiantou nas últimas horas que argumentará um problema no pedido de extradição, já que a Promotoria sueca não tinha o direito a solicitar sua prisão por não tê-lo acusado previamente de nenhum crime.
A linha de defesa será feita de um ponto de vista técnico, enfatizando que a extradição foi solicitada para interrogar Assange, não para processá-lo, e nesse caso as autoridades suecas poderiam pedir que o interrogatório fosse feito pelas autoridades britânicas ou por videoconferência.
Os advogados também manifestarão durante a audiência de extradição no Belmarsh Magistrates Court que caso seja extraditado para a Suécia seu cliente corre o perigo de ser entregue aos Estados Unidos, que poderiam prendê-lo em Guantánamo, devido a publicação de documentos secretos americanos.
A equipe de defesa de Assange, dirigida por Geoffrey Robertson, considera que ele pode ser acusado e considerado culpado de traição, e enfrentar a pena de morte se for entregue aos Estados Unidos.
Além disso, considera que sua entrega à Suécia violaria o artigo três da Convenção Europeia de Direitos Humanos que proíbe a tortura, à qual Assange seria exposto caso fosse extraditado aos Estados Unidos e acabasse na base de Guantánamo ou em qualquer centro de detenção.
Seus advogados argumentam que o Governo americano quer castigar o ativista por suas opiniões políticas.
Assange, de 39 anos e atualmente em situação de liberdade vigiada no Reino Unido, foi acusado de agressão sexual por duas mulheres da Suécia com as quais, supostamente, manteve relações sexuais durante uma estadia em Estocolmo no mês de agosto.
Assange nega o crime e seus partidários qualificam de injusta a solicitação de extradição apresentada pela justiça sueca.
Está previsto que a audiência de extradição dure dois dias.