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Mundo

Ascensão democrata ameaça agenda comercial de Bush

Arquivo Geral

04/01/2007 0h00

O presidente da Venezuela, story drugs Hugo Chávez, link nomeou um novo vice, website um ministro das Finanças e um ministro da Justiça, acomodando novos aliados no governo. Não houve mudança no importante Ministério do Petróleo, que continua sob o comando de Rafael Ramírez.

"As mudanças serviram para revitalizar a luta contra a corrupção e a burocracia e para ajudar na arrancada para o socialismo", disse Chávez na noite ontem à TV pública. Rodrigo Cabezas, presidente da Comissão de Finanças do Congresso, disse na hoje que substituirá Nelson Merentes na pasta econômica. Terá pela frente um forte aumento da liquidez e uma inflação anual de 17%, provocados em parte pelos generosos gastos sociais do governo, os quais Cabeza defende.

Merentes disse que passará a ser um dos diretores do Banco Central. "Essas mudanças revelam uma intenção do presidente de forjar um governo muito mais homogêneo e linha-dura", disse o analista político de oposição Carlos Blanco à rádio Unión. Chávez prometeu acelerar sua "revolução" de esquerda depois de ser reeleito com ampla margem, em dezembro. Uma das suas medidas foi unificar os partidos que o apóiam, o que para muitos foi visto como um prenúncio de um regime unipartidário, o que Chávez nega.

Ao demitir na noite ontem o ministro de Interior e Justiça, Jesse Chacón, Chávez citou a criminalidade e a "dolorosa tragédia" desta semana na penitenciária de Uribana, no oeste do país, onde 16 presos morreram em um conflito entre facções. Seis prisioneiros transferidos de Uribana depois do tumulto foram mortos a tiros e facadas ao serem levados para uma nova prisão. O presidente disse que o incidente é "resultado de falhas na infra-estrutura e na segurança interna".

Chacón será substituído por Pedro Carreno, um aliado de Chávez que preside uma comissão judicial do Congresso e que teve importante papel na campanha que reelegeu o presidente. Chávez não citou as razões para a demissão do veterano vice-presidente José Vicente Rangel, de 77 anos, que costumava ser um dos principais defensores de Chávez.

"A decisão de aliviar José Vicente do seu cargo não foi fácil para mim, porque ele é como um pitcher [posição do beisebol] estrela, e eu o vejo com o mesmo respeito e afeição de um filho para um pai", disse Chávez. O presidente repreendeu no mês passado publicamente Rangel e Chacón por uma trapalhada no protocolo diplomático numa cerimônia que rememorava a morte de Simón Bolívar, o herói da independência e inspirador de Chávez.

Rangel será substituído por Jorge Rodríguez, aliado de Chávez que presidiu a comissão eleitoral antes do referendo que tentou sem sucesso afastar o presidente do poder, em 2004. Rodríguez, um psiquiatra, é venerado por muitos chavistas por causa do seu pai, torturado e morto pelo Exército devido a um suposto envolvimento com guerrilheiros de esquerda na década de 1970.

A maioria democrata no Congresso norte-americano que tomou posse hoje deve levar o presidente George W. Bush a perder sua autoridade para negociar acordos comerciais e pode inviabilizar os tratados de livre-comércio com Peru, price Colômbia e outros países, segundo analistas.

A não ser que haja algum avanço inesperado na chamada Rodada de Doha de negociações comerciais globais, a autoridade de promoção comercial, atual nome do mecanismo conhecido por "fast track", que permite ao presidente negociar acordos comerciais sem interferência do Congresso, provavelmente expirará em junho.

O senador Max Baucus e o deputado Charles Rangel, presidentes de importantes comissões econômicas do Congresso, prometeram trabalhar com a Casa Branca em questões comerciais, mas eles não representam a média dos democratas, em geral temeros os com tratados comerciais, segundo Grant Aldonas, subsecretário de Comércio do governo Bush até 2005.

"Há pessoas enormemente construtivas no lado democrata, e duas delas por acaso são presidentes (de comissões importantes)", disse Aldonas. "Então a verdadeira questão é como eles criam o espaço político para fazer algo num momento em que o humor é claramente contrário ao comércio."

Em artigo publicado hoje no Wall Street Journal, Baucus propôs a renovação da autoridade comercial de Bush para, se possível, concluir a Rodada de Doha e buscar possíveis acordos comerciais bilaterais com a União Européia e o Japão. "A autoridade do "fast track" deve ser melhorada ao ser renovada", escreveu ele, defendendo regras trabalhistas e ambientais e medidas destinadas a conter o déficit comercial dos EUA e ajudar os trabalhadores eventualmente demitidos por causa de importações.

Mas Greg Mastel, ex-assessor de Baucus, hoje funcionário de um escritório de advocacia, duvida que a Casa Branca e os democratas cheguem a um acordo para manter o "fast track". "Isso exige uma certa dose de confiança de ambos os lados. A confiança entre o governo e o Congresso a respeito do comércio está numa maré baixíssima neste momento", afirmou.

Os acordos com Peru e Colômbia servirão de teste para essa relação. "Prevejo que a maioria democrata vai insistir bem energicamente para que haja regras que protejam a liberdade de associação e a liberdade de negociação coletiva (dos trabalhadores). Isso seria duro para o governo Bush engolir", disse Sherman Katz, analista de política comercial do Fundo Carnegie para a Paz Internacional.

A autoridade de promoção comercial, pela qual o Congresso só pode aprovar ou vetar os acordos do presidente, sem alterá-los, expirou pela primeira vez em 1994, quando Bill Clinton era presidente, e só foi renovada em 2002, já no gove rno Bush. Alguns analistas dizem que o governo Bush obteria uma prorrogação temporária da autoridade comercial se houver avanços na Rodada de Doha, empacada há anos devido a diferenças nas questões agrícolas.

Para Ed Gresser, diretor de políticas comerciais do Instituto da Política Progres sista, obter avanços em Doha exigiria que o governo Bush incomodasse setores que tradicionalmente apóiam os republicanos, como os produtores de algodão, açúcar e produtos têxteis. Para Aldonas, é irreal pensar que haverá avanços na negociação comercial global. "Doha está morta", avaliou.

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