“Pior que pode ocorrer é a falta de um clima de tranquilidade no processo eleitoral em novembro”, disse o presidente costarriquenho e mediador do processo em entrevista ao canal “Univisión”.
“Não se pode transformar Honduras em uma espécie de Albânia centro-americana”, acrescentou.
Alguns países já afirmaram que não reconhecerão o presidente eleito no pleito de 29 de novembro, até a recolocação de Manuel Zelaya ao poder.
Como mediador Arias não quis dizer se reconhecerá o resultado.
Em sua opinião, os mais interessados em sair da situação são os próprios candidatos porque se a comunidade internacional não reconhecer o ganhador, também não retomará o auxílio a Honduras, congelado por países europeus e dos Estados Unidos desde a deposição.
Arias lamentou a paralisação das negociações do Acordo de San José, que prevê a restituição de Zelaya antes das eleições por falta de vontade para dialogar e principalmente pelo Governo de fato resistir em admitir essa falha.
Ele fez ainda duras críticas à constituição hondurenha, que estudou para redigir o Acordo de San José.
“Nenhum povo, muito menos o hondurenho, merece uma constituição que não permita o controle político e que a única alternativa seja dar um golpe de estado”, afirmou Arias, adiantando a necessidade de modificação diversas cláusulas da carta magna.
Arias deseja que a visita da Organização dos Estados Americanos (OEA), com a presença de vários chanceleres nesta semana, possa contribuir para o avanço do diálogo.
Neste sentido lembrou que “os problemas hondurenhos devem ser resolvidos entre eles”, e se mostrou contrário a interferência do Conselho de Segurança da ONU por considerar que o conflito de Honduras não abala a paz e a segurança do mundo.
O Brasil pediu uma reunião urgente do Conselho após os enfrentamentos entre as forças de segurança e os seguidores de Zelaya depois que o presidente retornou a Honduras e se instalou na Embaixada brasileira em Tegucigalpa.
Arias admitiu ter se surpreendido com a volta de Zelaya a Honduras e reiterou “a necessidade do diálogo entre as partes, como fizeram os presidentes centro-americanos há 20 anos, apesar das grandes diferenças ideológicas”, o que lhe valeu o prêmio Nobel da Paz 1987.
Por último, Arias negou a intenção de se candidatar à Secretaria-Geral da OEA, quando José Miguel Insulza deixar o cargo. “Não estou disposto”, afirmou.