Menu
Mundo

Argentina vai importar gás venezuelano para atenuar crise energética

Arquivo Geral

06/08/2007 0h00

Argentina e Venezuela fizeram um acordo hoje para investir US$ 400 milhões em um projeto no qual Caracas enviará pelo mar gás natural liqüefeito a Buenos Aires, more about com o objetivo de atenuar a crise energética argentina.

O investimento milionário será destinado à construção de uma fábrica de “regaseificação” na Argentina, page na qual o gás voltará ao estado gasoso.

Este é um dos principais acordos fechados hoje em Buenos Aires pelo presidente da Argentina, Néstor Kirchner, e seu colega venezuelano, Hugo Chávez, em sua segunda visita oficial à Argentina neste ano.

O projeto se insere na crise energética vivida pela Argentina por causa da crescente demanda de gás e eletricidade por parte de indústrias e lares, no entanto o plano para trazer o gás da Venezuela não vai atenuar a emergência pois, segundo reconheceu o próprio Chávez, a fábrica só ficará pronta dentro de dois anos.

“Em dois anos poderemos enviar gás liqüefeito da Venezuela, na mesma velocidade que a Argentina nos manda vacas. Gás para continuar com a industrialização deste país”, disse Chávez em um ato na sede do Executivo argentino, após uma reunião privada com Kirchner.

Como parte desta visita, Chávez anunciou também a decisão da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) de instalar em Buenos Aires os escritórios regionais da divisão de compras e provisões da companhia petrolífera.

“Sabemos que isso vai favorecer muito a troca comercial entre Argentina e Venezuela”, destacou Kirchner em seu discurso.

Além disso, no ato de hoje o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina e o departamento de Agricultura venezuelano assinaram um acordo para construir novos centros de pesquisa genética na área agrícola.

Por fora dos anúncios oficiais estava a possível compra de parte da Venezuela de novos títulos de dívida pública argentina, embora fontes do Ministério da Economia da Argentina disseram que essa operação será negociada esta terça-feira entre funcionários dos dois Governos.

Por enquanto, Chávez deixou transparecer em declarações à imprensa que “não há limites” para fazer novas aquisições, que nos últimos dois anos subiram a US$ 4,572 bilhões, compras que “agora vão chegar a US$ 5 bilhões”.

“Seguramente isso já será suficiente para este ano. Se tivéssemos mais adiante, em 2008, recursos para ajudar a Argentina, se a Argentina pedir novos apoios para se libertar da dívida externa, sempre ajudaremos”, disse Chávez, afirmando que também planeja comprar bônus da Bolívia.

A Venezuela se transformou desde 2005 em uma das principais fontes de financiamento externa da Argentina com milionárias compras de títulos que o país caribenho utilizou em parte para lançar no ano passado os chamados “Bônus do Sul”, cuja segunda emissão está planejada para este segundo semestre.

O “Bônus do Sul” tem um componente de dívida pública nacional venezuelana e outro de dívida argentina, em partes iguais, embora de características diferentes, pois a parte venezuelana está em bolívares e da argentina em dólares.

As compras do bônus por parte da Venezuela permitiram à Argentina enfrentar sem sobressaltos seus compromissos de pagamento, que este mês somam vencimentos de dívida de cerca de US$ 2,5 bilhões.

Na reunião de hoje, Chávez e Kirchner também repassaram o panorama político regional e o processo de adesão da Venezuela ao Mercosul, atrasado porque os Congressos do Brasil e do Paraguai ainda não ratificaram a entrada ao bloco.

Kirchner ratificou que “é muito importante” a contribuição que a Venezuela dará ao Mercosul. Chávez apontou o Governo dos Estados Unidos como a “causa fundamental” dos “obstáculos” enfrentados pelo processo de adesão de seu país ao maior bloco sul-americano.

Chávez sustentou que é necessário “acelerar a grande aliança da América do Sul” e advertiu que só com a unidade dos países da região as nações serão “verdadeiramente livres”.

“Devemos impulsionar e acelerar a grande aliança da América do Sul e perfilar um rumo de integração diferente”, afirmou.

Kirchner e a primeira-dama, Cristina Fernández, ofereceram a Chávez e sua comitiva um jantar na residência presidencial de Olivos, nos arredores de Buenos Aires.

Como ponto alto da visita, está previsto que Chávez visite amanhã o Instituto Nacional de Tecnologia Industrial, órgão estatal que prepara um projeto para construir na Venezuela 56 fábricas, 12 delas de material de construção, graças a um acordo bilateral de cooperação.

O presidente venezuelano viajará na terça-feira ao Uruguai, a segunda escala de uma viagem regional que também inclui a Bolívia e o Equador.

Chávez e Kirchner vão se encontrar novamente na Bolívia, na próxima sexta-feira, para assinar acordos energéticos com seu colega boliviano, Evo Morales, na cidade sulina de Tarija, na fronteira com a Argentina.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado