Fontes oficiais confirmaram hoje que os impedimentos comerciais, que também foram aplicados pelo Brasil, serão parte da agenda “ampla e diversa” que a presidente argentina, Cristina Kirchner, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordarão na próxima semana em Brasília.
O chanceler argentino, Jorge Taiana, disse hoje em coletiva de imprensa que “serão os presidentes que em seu encontro terminarão de definir alguns pontos de vista” sobre as diferenças em torno do comércio.
“Partimos também da realidade de que este foi um ano complexo para o mundo e nesta situação se olham com mais cuidado vários aspectos das políticas porque a necessidade de garantir os níveis de emprego e recuperação econômica são valores permanentes para nós”, alegou Taiana.
O chanceler explicou que as medidas protecionistas dispostas pela Argentina, como as licenças não automáticas, “tiveram uma razão” e assegurou que Buenos Aires adotou tais medidas “pensando na defesa das possibilidades produtivas e comerciais” do país para “evitar efeitos não queridos”.
“Nós levamos sempre em conta as necessidades e as possibilidades de nosso setor produtivo e esse é um ponto de partida de qualquer diálogo para qualquer acordo que possa ser feito sobre o tema”, ressaltou Taiana.
Nesse sentido, a ministra da Indústria argentina, Débora Giorgi, afirmou que ambos os países trabalham “com o melhor dos espíritos” para a reunião presidencial, prevista para a próxima quarta-feira, embora, no caso de Buenos Aires, “conscientes da necessidade de ter um desenvolvimento industrial na Argentina”.
“Temos expectativa de que a reunião presidencial signifique um passo adiante na integração produtiva. Isso envolve considerar a realidade, a dificuldade que implica a mesma, ver diferentes pontos de vista e interesses para conciliar”, afirmou Taiana.
“Sem dúvida, os presidentes trabalharão nessa direção, em um clima de boa relação”, acrescentou.