O ministro da Economia argentino, Amado Boudou, destacou hoje o “grande esforço” feito pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, para introduzir mudanças no organismo, mas criticou os “burocratas” que o cercam.
Em entrevista publicada hoje pelo diário “Página/12”, de Buenos Aires, o ministro disse que Strauss-Kahn “encontra uma resistência muito forte do staff” do FMI, cuja reforma é pedida pela Argentina há anos.
“Não estamos de acordo com o funcionamento do FMI. (…) Todos esses rapazes engordaram muito. São burocratas muito acomodados em suas poltronas”, comentou Boudou.
O ministro afirmou que o FMI “foi o principal gerador” de instabilidade macroeconômica no mundo e que “em todos os países onde teve ingerência, fez desastres”.
“O Fundo teria que olhar muito para dentro e perceber que tem que começar a pregar políticas sustentáveis como as da Argentina e não mamarrachos como os que vêm impulsionando”, completou.
Em outra entrevista, publicada pelo diário “La Nación”, Boudou questionou os motivos pelos quais o FMI concedeu créditos flexíveis a alguns países.
“Dizem que há três países que receberam empréstimos incondicionais do FMI: Colômbia, México e Polônia. Mas eu acho que mais do que por questões econômicas, alcançaram um acordo por questões geopolíticas ligadas a Washington”, explicou o ministro.
A Argentina negocia há alguns meses com o organismo o retorno às revisões periódicas das contas públicas do país pelos técnicos da entidade, algo a que Buenos Aires não se submete desde 2006.
Boudou disse que uma decisão nesse sentido vai “demorar” se no FMI continuarem sem entender qual é a “visão” da Argentina, que se nega a receber recomendações e imposições de políticas econômicas por parte do organismo.
O ministro da Economia argentino se encontrará no início de novembro com Strauss-Kahn na reunião do G20 (países ricos e principais emergentes) na Escócia.