Argentina e Uruguai, diagnosis sob mediação da Espanha, concluíram hoje em Nova York sua segunda reunião sobre o conflito gerado pela instalação de uma fábrica de celulose na localidade uruguaia de Fray Bentos.
Em comunicado conjunto emitido ao término do encontro, o segundo em três meses a acontecer em Nova York, as partes dizem que terminaram esta nova rodada de negociações em “clima de sinceridade e respeito mútuo”.
Além disso, destacam que examinaram todos os pontos da Declaração de Madri e que “continuaram aprofundando e desenvolvendo seus pontos de vista sobre tais matérias, através de apresentações cujo conteúdo será objeto de estudo por suas respectivas autoridades”.
Argentinos e uruguaios acrescentaram que “avaliam positivamente” os esforços que o embaixador espanhol na ONU, Juan Antonio Yáñez-Barnuevo, realiza como facilitador dos contatos, e que este, no prazo de um mês, vai ser quem comunicará “o lugar e a data” da próxima reunião.
A chefe da delegação argentina e diretora geral da secretaria legal do Ministério das Relações Exteriores, Susana Ruíz Cerutti, disse, ao sair do encontro, que as partes trabalharam “intensamente” e com “bom ânimo”.
“Tratamos de todos os temas, cada um com suas posições. Trocamos pontos de vista e agora os transmitiremos a nossos Governos”, afirmou.
Cerutti disse ainda que, segundo a informação da qual dispõe, a fábrica da empresa finlandesa Botnia não entrará em funcionamento nos próximos meses, apesar de a empresa ter dito o contrário na semana passada.
No entanto, o diretor-geral do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, José Luis Cancela, que lidera a delegação de seu país, declarou que o atual diálogo técnico não interferirá na data de abertura da instalação.
“O processo de construção da fábrica transcorre de acordo com o que a legislação uruguaia estabelece”, esclareceu.
Quanto ao conteúdo do encontro, Cancela afirmou que ambas as partes repassaram toda a agenda comum “sem esgotar os temas”.
“A reunião se desenvolveu em um clima de diálogo, de respeito mútuo e de muita franqueza”.
Os quatro pontos de discussão estipulados em Madri incluem a localização da fábrica e a circulação pelas estradas e pontes que unem ambos os países, as quais são freqüentemente fechadas por manifestantes argentinos.
O terceiro ponto da agenda foca assuntos relacionados à aplicação do Estatuto do rio Uruguai, enquanto o quarto se refere à proteção ambiental do rio e à promoção do desenvolvimento sustentável em suas áreas de influência.
Atualizada às 22h45