Menu
Mundo

Argentina demonstra preocupação com decisão <i>intempestiva</i> do Brasil

Arquivo Geral

31/10/2009 0h00

O Governo da Argentina insistiu hoje em que a decisão “intempestiva” do Brasil de impor licenças não automáticas para a entrada de produtos argentinos no país “é altamente preocupante”.

“Surpreende uma medida como a tomada pelo Governo brasileiro, sem aviso prévio, quando nós damos 80 dias, em cumprimento da normativa da Organização Mundial do Comércio (OMC)”, disse a ministra da Indústria argentina, Débora Giorgi, durante um evento na província (estado) de Chaco, no norte do país.

Segundo a ministra, o Governo da Argentina analisa o cenário para ter “as medidas do caso”, porque “o problema não corresponde somente aos caminhões que estão em trânsito, mas também à colheita que já está pronta”.

“Dos nove ou dez produtos de economias regionais que receberam licenças não automáticas de forma intempestiva, o Brasil é o principal destino”, assinalou Giorgi, em declarações divulgadas pela agência estatal Télam.

Giorgi negou que a Argentina privilegie “a entrada de produtos chineses” em detrimento dos brasileiros e afirmou que a troca de manufaturas de origem industrial entre os países vizinhos favorece o Brasil “em US$ 2,7 bilhões”, segundo dados do Ministério da Indústria argentino.

Há duas semanas, o Brasil impôs licenças não automáticas para a entrada de produtos argentinos como alho, vinho, farinha de trigo, azeitonas, azeites e comida para animais.

Agora, os exportadores devem ter permissões especiais para vender suas produções ao Brasil, o que pode demorar até 60 dias.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, confirmou nesta semana que o Governo brasileiro decidiu exigir nas alfândegas licenças não automáticas de importação sobre alguns produtos da Argentina, mas negou que isso seja uma represália por medidas semelhantes do país vizinho.

A medida é similar a uma que a Argentina impõe há pouco mais de um ano sobre vários produtos brasileiros, que precisam ter uma licença não automática de importação antes de ingressar no país vizinho.

A restrição brasileira entrou em vigor sem ter sido anunciada publicamente, o que surpreendeu vários exportadores argentinos e o próprio Governo do país, que convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Mauro Vieira, para explicar a medida.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado