O presidente da Argélia, pharm Abdelaziz Bouteflika, online manterá sua linha de paz e reconciliação apesar dos atentados suicidas cometidos pela organização terrorista Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), cost segundo insistiram hoje fontes governamentais.
O próprio Bouteflika reafirmou ontem à noite, após o atentado em Batna, no qual morreram 19 pessoas e 107 ficaram feridas, que não se desviará de sua oferta de paz aos extremistas que decidirem depor as armas.
“Quero dizer ao povo argelino e a todo o mundo que optamos pela via da reconciliação nacional e pela concórdia civil como caminho estratégico, do qual não nos afastaremos jamais”, proclamou Bouteflika, ontem à noite, diante das câmeras da televisão.
A AQMI cometeu cinco atentados suicidas na Argélia desde 11 de abril, quando três homens lançaram seus carros contra a sede do Governo e duas dependências policiais, matando 30 pessoas e ferindo cerca de 300.
No dia 11 de julho, num atentado semelhante contra um quartel da localidade de Lakhadaria, morreram 10 militares e 12 ficaram feridos.
Até agora o fanatismo religioso divulgado nas mesquitas e nos bairros mais pobres se caracterizava por sua propaganda em favor da jihad (guerra santa), mas não pedia o sacrifício físico de seus partidários.
A situação se modificou radicalmente quando a organização salafista anunciou, em setembro do ano passado, que tinha se filiado à rede do terrorista de origem saudita Osama bin Laden.
A decisão teria enfrentado a oposição de alguns chefes regionais do grupo, segundo declarações feitas por vários deles, que se renderam recentemente para se beneficiar da anistia oferecida pelo Governo.
A autoridade do emir ou líder nacional da AQMI, Abdelmalek Drukdel, é contestada por outros terroristas. Principalmente Mokhtar Belmokhtar, que opera nos confins da região saariana.
Belmokhtar desempenha um papel importante na organização. Ele é responsável por recolher os fundos obtidos com o contrabando de armas e explosivos, que penetram na Argélia pelas fronteiras do Níger e Mali, e possivelmente da Líbia.
O grupo terrorista também inovou em sua propaganda, divulgando vídeos pela internet nos quais se mostra a preparação dos atentados e divulga declarações incendiárias dos suicidas.
Drukdel foi doutrinado por Ayman El Zawari, número dois da organização de Bin Laden. Ele recebeu instruções para montar na Argélia, em escala reduzida, uma estratégia como a da Al Qaeda na Mesopotâmia, que atua no Iraque.
“Enfrentamos uma cópia da maneira de operar da Al Qaeda no Iraque e no Afeganistão. No Magrebe, até agora, isso parecia se limitar ao Marrocos”, disse à agência Efe um especialista em segurança de uma embaixada européia na capital argelina.
O atentado cometido em Batna por um terrorista suicida, que ainda não foi identificado, pela primeira vez escolheu como alvo o cortejo do próprio Bouteflika. Ele estava na cidade, encerrando uma viagem por várias províncias.
Bouteflika afirmou que refletiu amplamente sobre o terrorismo em seu país e chegou à conclusão de que não existe outra solução a não ser a concórdia civil, a anistia e a reinserção social dos fanáticos.
O governante afirma que sua obsessão é recuperar o tempo perdido nos 10 anos de guerra civil, iniciada em 1992, com um impressionante saldo de mais de 150 mil mortos.
No dia 26 de abril, o Exército argelino matou o número dois da AQMI, Samir Saioud, num combate na província de Boumerdès. Em 8 de abril, três dias antes dos atentados suicidas de Argel, a organização armou uma emboscada na região de Ain-Defla, na qual morreram nove militares.