O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou nesta quarta-feira (23) que o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, receberá tratamento médico em um hospital de Nova York após assinar a iniciativa do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para a transferência do poder no país árabe.
“Estou me sentindo encorajado pela evolução positiva que está acontecendo no Iêmen”, disse Ban nesta quarta-feira à imprensa, quando afirmou que ele mesmo ligou na terça-feira a Saleh para pedir que assinasse o acordo.
O principal responsável pela ONU acrescentou que o presidente iemenita respondeu de forma positiva e perguntou pelo apoio das Nações Unidas se fosse necessário.
Saleh já assinou a iniciativa nesta quarta-feira em Riad, que permitirá a transferência pacífica do poder no Iêmen e deve pôr fim à crise que atinge o país desde o início do ano, quando começaram os protestos da chamada “primavera árabe”.
Esse pacto outorga ao vice-presidente do país, Abd al-Rab Mansur al-Hadi, as competências necessárias para aplicar a iniciativa do CCG e organizar eleições presidenciais antecipadas no prazo de 90 dias desde a assinatura do documento, afirmou na capital iemenita o enviado especial da ONU, Jamal Benomar.
Depois de três meses, de acordo com Benomar, começa uma etapa de transição de dois anos na qual será formado um Governo de união nacional, e organizado um congresso de diálogo nacional integral que garantirá uma participação ampla para traçar o futuro do Iêmen.
A iniciativa do CCG, integrado por Arábia Saudita, Omã, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, foi elaborada no final de abril para resolver a crise no Iêmen, que desde 27 de janeiro é cenário de protestos contra Saleh.
Ban disse que explicou a Saleh que “as Nações Unidas não pouparão esforços” e que ele mesmo “fará tudo o que for possível para mobilizar recursos e apoiar o retorno da paz, estabilidade e ordem democrática no Iêmen”.
Antes de entrar em um debate do Conselho de Segurança da ONU sobre segurança internacional, Ban disse que Saleh comunicou a ida a Nova York para um tratamento médico, e que pretende se reunir com ele.
Em junho, o presidente iemenita sofreu um atentado quando um projétil foi lançado contra o complexo presidencial em Sana. Posteriormente, ele se transferiu à Arábia Saudita para receber cuidados pelos ferimentos que sofreu no peito e na cabeça.
Este atentado causou a morte de sete oficiais dos serviços de segurança e deixou feridos vários altos cargos do regime iemenita.
As manifestações pacíficas contra o presidente do Iêmen, que é o país mais pobre da península Arábica, começaram em janeiro, e desde então acontecem enfrentamentos diários entre as forças governamentais, milícias tribais e militares desertores.
O país vive uma situação de crise e de revolta popular contra o regime de Saleh, que preside o Iêmen desde a unificação entre o norte e o sul em 1990, e que desde 1978 governava o Iêmen do Norte.