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Após especulações, candidato opositor se retira de eleições afegãs

Arquivo Geral

01/11/2009 0h00

Após vários dias de especulações, o candidato opositor Abdullah Abdullah, que deveria enfrentar o atual presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, no segundo turno das eleições presidenciais afegãs, anunciou hoje sua retirada do processo eleitoral.

“As ações equivocadas do Governo e da Comissão Eleitoral afegã me levam a não participar das eleições de 7 de novembro”, afirmou Abdullah, em discurso diante de seus partidários.

A equipe de Abdullah já tinha ameaçado no sábado se retirar das eleições e tinha pedido a seus simpatizantes que não fossem às urnas, mas a decisão oficial ficou à espera do comparecimento do próprio candidato, marcado para hoje.

Abdullah confirmou o esperado: não irá às urnas porque não está seguro, disse, da transparência do processo, mas não chegou a pedir o boicote à votação e insistiu em que os cidadãos não devem recorrer à violência nem tomar as ruas.

O candidato opositor tinha condicionado sua participação nas eleições ao cumprimento, por parte do Governo de Karzai, de várias condições prévias para garantir um segundo turno livre de fraude, e tinha definido o sábado como data limite para suas exigências.

Abdullah pedia o afastamento imediato do chefe da Comissão Eleitoral, Azizullah Ludin, a suspensão de vários ministros e o credenciamento como interventores de 20 mil membros de sua equipe, mas as autoridades só deram sinal verde à terceira condição.

O segundo turno foi anunciado há menos de duas semanas, depois que as autoridades eleitorais anularam centenas de milhares de votos fraudulentos e deixaram Karzai sem a maioria absoluta necessária para evitar uma nova votação.

A retirada de Abdullah abre agora uma séria dúvida sobre a realização das eleições, mas tanto fontes da Comissão Eleitoral quanto um porta-voz de Karzai se mostraram favoráveis, diante da Agência Efe, a que os cidadãos possam exercer o voto.

“De acordo com a lei, as eleições devem acontecer. (A retirada de Abdullah) Não afetará as eleições”, disse o porta-voz de Karzai, Waheed Omar.

Nem a Constituição afegã nem a lei eleitoral precisam qual é o procedimento legal que deve ser seguido se um dos dois candidatos à Chefia do Estado no segundo turno sair da disputa eleitoral.

Nas últimas semanas, Cabul tinha sido cenário de especulações sobre um possível acordo para um Governo de coalizão entre Karzai e Abdullah, mas a equipe deste último negou que houvesse algum diálogo a respeito.

No entanto, após sua renúncia a concorrer ao segundo turno, devido à suspeita de uma nova fraude, o próprio Abdullah chegou a dizer hoje que as portas “estão abertas” para dialogar com Karzai, que se transforma, assim, no virtual vencedor do processo.

“Não fecho nenhuma porta, mas continuarei focado nos princípios com os quais iniciei a campanha. Seguirei minha agenda para a reforma e a mudança do país em qualquer circunstância, portanto, as portas deveriam estar abertas”, disse Abdullah a respeito.

A nova votação teria sido um grande desafio para o candidato opositor: no primeiro turno, e após se descartar as fraudes, ele obteve 30,59% dos votos, frente aos 49,67% do atual presidente.

O processo eleitoral conta também com a oposição dos insurgentes talibãs, que incentivaram a população a boicotar as eleições e ameaçaram iniciar uma onda de violência como a que realizaram no primeiro turno.

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