Menu
Mundo

Após encontro com Xi, Trump afirma que não decidiu sobre novas vendas de armas à Taiwan

Presidente dos EUA afirmou que discutiu o tema com o líder chinês em Pequim e evitou responder se Washington defenderia a ilha em caso de ataque da China

Redação Jornal de Brasília

15/05/2026 12h56

Foto : BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

Foto : BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

VICTORIA DAMASCENO
FOLHAPRESS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou a bordo do Air Force One que ainda não decidiu se vai aprovar o novo pacote de vendas de armamentos para Taiwan.

A fala ocorreu no trajeto de volta para Washington, após deixar Pequim na tarde desta sexta-feira (15), no horário local, madrugada do mesmo dia no Brasil. O americano esteve na capital chinesa para uma visita de Estado a convite do líder do regime, Xi Jinping, com quem afirmou ter discutido a venda de armas para a ilha.

O americano disse que os líderes discutiram longamente a questão de Taiwan e que não fez promessas a Xi. Questionado se os EUA defenderiam a ilha em caso de ataque chinês, não respondeu.

“Há apenas uma pessoa que sabe disso, e essa pessoa sou eu. Eu sou o único”, afirmou aos repórteres. “Essa pergunta foi feita a mim pelo presidente Xi. Eu disse que não falo sobre isso.”

Trump afirmou ainda que tomará uma decisão sobre as novas vendas de armamentos.

A resolução da questão, porém, esbarra no Congresso americano. A Lei de Relações com Taiwan, aprovada em 1979, estabelece que Washington deve disponibilizar meios para que a ilha mantenha capacidade de autodefesa. A legislação dá ao presidente e ao Congresso a responsabilidade compartilhada de definir a natureza e a quantidade desse apoio com base nas necessidades de defesa de Taiwan, incluindo avaliação de autoridades militares americanas.

Na prática, isso limita o espaço para que um presidente use a venda de armas à ilha apenas como moeda de troca política com Pequim.

Os EUA não mantêm relações diplomáticas com Taiwan, mas são o principal apoiador da ilha e quem historicamente abastece as forças militares de Taipé. O regime chinês tem trabalhado pela interrupção do fornecimento, cujo objetivo é proteger o território de ameaças militares de Pequim.

A China continental afirma que Taiwan é parte inalienável de seu território e já disse em mais de uma ocasião que não descarta o uso da força para alcançar a reunificação. A principal estratégia usada pelo regime, porém, é tentar convencer a população taiwanesa da unificação sem recorrer à via militar.

Originalmente parte do mesmo território, a cisão ocorreu em 1949, quando o então governo chinês, liderado pelos nacionalistas do Kuomintang, perdeu a guerra civil para os comunistas de Mao Tsé-tung e fugiu para a ilha. Naquele ano, foi fundada a República Popular da China, enquanto Taiwan manteve formalmente o nome que caracterizava todo o território, República da China.

Hoje, a principal política diplomática chinesa se baseia no não reconhecimento de Taiwan como nação. Aliados também aderem ao conceito de “Uma só China”, promovido por Pequim para mostrar que não há duas repúblicas chinesas no mundo.

O posicionamento dos EUA, por exemplo, é de não apoiar mudanças unilaterais no status quo da ilha.

Taiwan foi um dos assuntos mais importantes da cúpula, com o líder chinês e sua chancelaria subindo o tom nas advertências aos americanos. Xi afirmou em sua fala de abertura da reunião bilateral, realizada na quinta-feira (14), que, se Washington lidar de forma inadequada com a questão, haverá conflitos.

“A independência de Taiwan e a paz no estreito de Taiwan são incompatíveis. Manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan é o maior denominador comum entre a China e os EUA”, afirmou, segundo a Xinhua.

Mais tarde, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, disse que os americanos devem ter “cuidado extra ao lidar com a questão Taiwan”.

A fórmula é a mesma que a diplomacia chinesa usou nos dias que antecederam a visita. O chanceler chinês, Wang Yi, por exemplo, afirmou ao secretário de Estado, Marco Rubio, que o tema é o ponto mais sensível das trocas bilaterais.

Para Zack Cooper, pesquisador sênior do Instituto Empresarial Americano (EUA), Pequim está tentando obter concessões de Trump em relação ao tema.

“As duas áreas mais prováveis seriam uma mudança na forma como os Estados Unidos falam sobre Taiwan -passando de ‘não apoiar’ a independência de Taiwan para ‘se opor’ ativamente a ela- ou um acordo para que os Estados Unidos adiem ou cancelem vendas de armas a Taiwan em troca de compras ou investimentos chineses”, disse.

O pesquisador afirma que qualquer um dos cenários seria visto como uma grande concessão e minaria a confiança nos EUA.

As manifestações do americano e de Pequim durante a cúpula atraíram atenção das lideranças de Taipé, visto que mudanças no posicionamento de Washington poderiam comprometer a defesa da ilha.

No início da tarde de quinta, a porta-voz do Executivo de Taiwan, Michelle Lee, afirmou que “a ameaça militar da China é o único fator de insegurança para o estreito de Taiwan e a região Indo-Pacífico”.

Horas depois, o Conselho de Assuntos Continentais declarou que a liderança central acompanhava de perto o resultado da cúpula e que a equipe de segurança nacional do território mantinha contato próximo com os EUA, segundo a imprensa estatal. Até aquele momento, quinta ao final da tarde no horário local -horas após o pronunciamento de Xi sobre a ilha-, o porta-voz Liang Wen-jie afirmou que não havia nenhuma notícia surpreendente.

Mais tarde, o mesmo departamento emitiu um comunicado afirmando que “a República da China (Taiwan) é um país soberano e independente, responsável pela manutenção da paz no Estreito de Taiwan e uma força crucial para a prosperidade econômica global”.

Na noite do mesmo dia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou em entrevista à NBC News que o posicionamento do país em relação ao tema foi consistente ao longo de diferentes administrações presidenciais e segue igual na gestão atual.

“Na nossa perspectiva, qualquer mudança forçada no ‘status quo’ e na situação de agora seria ruim para ambos os países”, declarou.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado