Menu
Mundo

Após eleição, Sérvia deve ter dificuldades para formar governo

Arquivo Geral

22/01/2007 0h00

A Sérvia deve embarcar hoje em um longo período de negociações sobre a formação de uma coalizão de governo que, about it price ao que tudo indica, decease teria vida curta. Isso porque o pleito realizado ontem no país não conseguiu eleger um bloco claramente majoritário, minando as esperanças do Ocidente de que os nacionalistas fossem afastados do centro do poder.

O Partido Radical (ultranacionalista) ficou com a maior fatia dos votos depositados nas urnas, 28%, mas disse prever que o presidente do país, Boris Tadic (um político pró-ocidente), não o convocará para formar um governo. Tadic, cujo Partido Democrático (oposição) conquistou 23% dos votos, deve tentar formar uma coalizão com o grupo o primeiro-ministro Vojislav Kost unica (em final de mandato) e com um partido liberal de dimensões menores.

"Tadic já disse, na noite passada, que não respeitaria o princípio democrático e que não daria um mandato para o Partido Radical", afirmou o vice-líder da legenda, Tomislav Nikolic. "Temos de esperar para ver se será possível para o Partido Democrático e o Partido Democrático da Sérvia (de Kostunica), juntamente com uma terceira legenda, formar um governo e para ver se tal governo conseguiria funcionar", acrescentou.

Os democratas quase dobraram sua bancada em relação ao pleito anterior e são, hoje, o maior partido do bloco pró-Ocidente, superando com facilidade o partido de Kostunica, que ficou com 16% dos votos.  O premiê não ofereceu indícios sobre com quem selaria uma aliança, mas disse que um ponto central das negociações a respeito do futuro governo da Sérvia seria a postura dos partidos a respeito de Kosovo.

O Ocidente estuda um plano para conceder algum tipo de independência à maioria albanesa da Província separatista de Kosovo, administrada pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) expulsou dali as forças do ex-autocrata Slobodan Milosevic, em 1999. Segundo Tadic, Kosovo já pode ser uma carta fora do baralho. Kostunica encampa o discurso nacionalista de que a terra considerada sagrada pelos sérvios e na qual teria nascido sua nação não será nunca abandonada.

"As negociações devem durar bastante tempo e é possível que tenhamos novas eleições dentro em breve", afirmou o analista de política Dusan Janjic. Tadic e Kostunica precisariam ceder, particularmente porque algumas autoridades do Partido Democrático são contrárias a uma aliança com Kostunica.

O resultado das eleições mina as esperanças da União Européia (UE) e dos EUA de que um governo forte em Belgrado conseguisse tomar, rapidamente, uma decisão sobre o futuro de Kosovo e que, prendendo os acusados de crimes de guerra, conseguisse retomar os planos da Sérvia de ingressar no bloco europeu. A liderança da UE interpretou de forma positiva o resultado das eleições. Segundo o chefe da área de política externa do bloco, Javier Solana, "a maioria votou nas forças que são democráticas e que são pró-Europa".

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado