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Mundo

Após eleição contestada, Ahmadinejad é empossado para segundo mandato

Arquivo Geral

05/08/2009 0h00


Mahmoud Ahmadinejad tomou posse para um segundo mandato como presidente do Irã com um apelo em defesa da unidade nacional e críticas à interferência estrangeira. Fugindo do seu estilo belicoso, o discurso foi sóbrio. Segundo a mídia estatal iraniana, não houve distúrbios. Mas testemunhas afirmaram que pelo menos dez pessoas foram presas e que forças de segurança usaram cassetetes para dispersar manifestantes. Ahmadinejad concentrou-se na política externa, dizendo que a tornará “mais forte e com novos planos mais efetivos”.
O polêmico Ahmadinejad foi reeleito no dia 12 de junho passado, com cerca de 63% dos votos contra 34% do principal candidato da oposição, Mir Hossein Moussavi.

Ele não mencionou diretamente as manifestações contra sua reeleição, mas disse que seu governo “resistirá a qualquer violação da lei e interferência”. “Não ficaremos em silêncio, não toleraremos o desrespeito, a interferência e os insultos”, assegurou. “Por Deus todo-poderoso, prometo proteger o sistema da Revolução Islâmica e a constituição; não pouparei esforços para salvaguardar as fronteiras do Irã”, discursou Ahmadinejad. Num apelo à unidade, o presidente disse que os iranianos deveriam “dar-se as mãos e seguir em frente” para atingir seus objetivos.


Importantes clérigos e funcionários de alto escalão compareceram à cerimônia, boicotada pelos líderes da oposição e pelos parlamentares moderados. A oposição alega que Ahmadinejad fraudou a eleição presidencial e desde então grandes protestos de rua abalaram a liderança religiosa do país. Pelo menos 30 manifestantes foram mortos durante os protestos, de acordo com as autoridades. Ontem, centenas de policiais se perfilaram em torno do Parlamento e uma estação de metrô nas proximidades foi fechada. Grupos oposicionistas usaram a internet – incluindo endereços eletrônicos ligados ao líder Moussavi – para convocar os manifestantes de volta às ruas – sinalizando a determinação de continuar a desafiar o establishment.
O Conselho dos Guardiães do Irã, órgão responsável por ratificar o resultado do pleito, aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos para acalmar a oposição, mas confirmou a reeleição de Ahmadinejad depois de afirmar que a fraude em cerca de três milhões de votos não era suficiente para mudar o resultado das urnas. A comunidade internacional foi cautelosa ao não reconhecer sua eleição e também não endossar as denúncias de fraude, mas não perdoaram a violência na repressão dos manifestantes.

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