Amanhã, fará um mês que Zelaya está na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, aonde chegou após voltar de surpresa ao país, do qual os militares o expulsaram em 28 de junho, com o diálogo em uma situação de paralisia.
“Nunca daremos por fracassado um diálogo”, disse hoje à “Rádio América” o chefe da missão da OEA que acompanha o processo, John Biehl, assessor do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza.
Para o enviado da OEA, as conversas não fracassaram e ainda há possibilidades de conseguir uma solução para a crise, e ressaltou que “sempre o diálogo está aberto”.
“Apesar da estagnação, e apesar de que as coisas podem ficar pior antes de ficarem melhor, estou absolutamente convencido de que os hondurenhos vão se reconciliar, vão fortalecer sua democracia”, enfatizou Biehl.
O deposto governante pediu ao Conselho Permanente da OEA que, em sua reunião de amanhã, em Washington, pronuncie-se sobre o estado de “obstrução e estagnação” em que o diálogo caiu ontem.
As conversas ficaram estagnadas após a rejeição pela delegação de Zelaya de uma proposta do governante de fato, Roberto Micheletti, mas hoje as comissões mantiveram contatos, separadamente, com Biehl, segundo fontes de ambas as partes.
Segundo a proposta de Micheletti, a mesa de diálogo deveria decidir sobre a restituição do deposto líder com base em relatórios da Corte Suprema de Justiça e do Congresso Nacional a respeito de suas atuações relacionadas à deposição de Zelaya.
Rodil Rivera, membro da delegação de Zelaya, disse à Agência Efe que, “se nunca houver uma proposta da outra parte, que só tenhamos que vir assinar, o diálogo pode morrer”.
“Não nos retiramos, não declaramos terminado o diálogo”, disse, acrescentando que também não colocaram prazos para voltar às negociações.
Vilma Morales, integrante da comissão de Micheletti, ratificou à “Rádio América” que “não há prazos” definidos perante a nova proposta.
“Mantemos essa posição firme de continuar trabalhando”, afirmou Morales, ao rejeitar que o Conselho Permanente da OEA se pronuncie sobre a estagnação do diálogo, porque “isso saiu de um cenário internacional”.
Zelaya reiterou que, se não for restituído, a comunidade internacional não reconhecerá as eleições de 29 de novembro em Honduras nem o novo Governo que sair do pleito.
Por telefone, Zelaya disse à Efe que “os golpistas são os únicos que acham que não houve golpe de Estado em Honduras”.
Sobre a nova estagnação do diálogo, o governante deposto disse, sem precisar detalhes, que “há muitas saídas, mas, enquanto não se dobrar o braços dos golpistas, estaremos em um diálogo que não interessa ao ditador (Micheletti)”.
O coordenador da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado, Juan Barahona, disse à Efe que “o diálogo fracassou desde que estava na Costa Rica”, onde ambas as partes se reuniram duas vezes com a mediação do presidente costarriquenho, Óscar Arias.
“Os golpistas vieram ganhando tempo com táticas dilatórias para chegar às eleições, não estão pensando em devolver o poder”, afirmou, e advertiu que, “se não houver a restituição do presidente Zelaya, não haverá eleições”.
A resistência realizou hoje uma manifestação em Tegucigalpa com centenas de pessoas condenando o golpe, exigindo a restituição de Zelaya e censurando que o diálogo tenha ficado estagnado.