Os ministros de Comércio dos 21 países do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, prescription na sigla em inglês) se comprometeram hoje a retirar o protecionismo como forma de sair da crise e estimular o crescimento econômico.
O compromisso impede os signatários, troche entre eles os Estados Unidos, salve a Rússia e a China, “de adotarem novas medidas” que possam prejudicar o comércio exterior ou os investimentos estrangeiros, embora estas normas sejam legais dentro do marco da Organização Mundial do Comércio (OMC).
As informações foram antecipadas à Agência Efe por vários dos delegados que participam da reunião ministerial, realizada hoje e amanhã em Cingapura.
“Este é um acordo formal para efetivar o compromisso de não introduzir novas medidas protecionistas, adotado pelos líderes do Apec em novembro”, assegurou Carlos Furche, diretor-geral de Relações Econômicas Internacionais da Chancelaria do Chile.
A previsão é de que o acordo seja anunciado amanhã, durante a jornada final do encontro, junto a um pedido para que a comunidade internacional retome o mais rápido possível as negociações da Rodada de Doha da OMC, que foram paralisadas em 2008.
As delegações presentes no encontro do Apec consideraram que a liberalização do comércio promovida pela Rodada de Doha é um incentivo essencial para estimular a recuperação mundial e previram que, no melhor dos casos, poderia haver um acordo sobre o tema até o fim de 2010.
“O comércio estimula o crescimento e o que o mundo necessita agora, mais que qualquer outra coisa, é crescimento”, disse o ministro do Comércio australiano, Simon Crean.
A Rodada de Doha, que tem o objetivo de liberalizar o comércio internacional e fomentar o desenvolvimento das economias menos desenvolvidas, foi iniciada em 2001, mas teve vários fracassos, devido às posições opostas dos países industrializados e das potências emergentes.
Os primeiros defenderam a necessidade de liberalizar o setor de serviços e manter as barreiras alfandegárias aos produtos agrícolas, enquanto os países em desenvolvimento lutam pelo contrário.
“A melhor resposta para sair da crise é a rápida conclusão da Rodada de Doha. É uma oportunidade”, afirmou o ministro do Comércio da Coreia do Sul, Kim Jong-hoon.
Furche ressaltou que um eventual acordo nas negociações da Rodada de Doha frearia o avanço do protecionismo e “reforçaria o otimismo diante das expectativas de recuperação da economia global”.
A Rodada de Doha teve destaque no encontro do Apec, devido à participação de Pascal Lamy, diretor-geral da OMC, como líder da conferência.
O encontro ministerial do Apec começou uma semana depois que o Grupo dos Oito (G8, formado pelos sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia) decidiu reiniciar os contatos entre os países, para reativar as negociações da Rodada de Doha até 2010.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assegurou, recentemente, que o reatamento das conversas também é uma das prioridades da próxima reunião do G20 (grupo que engloba as 20 principais economias emergentes do mundo), prevista para setembro, em Nova York.
O Apec é formado por 21 economias de volumes diferentes do arco do Pacífico, que vai dos Estados Unidos à China, passando por Cingapura, Rússia, México, Peru e Chile. O grupo engloba mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e movimenta cerca de 44% do comércio internacional.
O Apec deve realizar outra cúpula de chefes de Estado e Governo em novembro, que centrará também na recuperação econômica global, de acordo com o lema eleito pela Presidência rotatória ocupada por Cingapura: “Mantendo o crescimento, conectando a região”.