As negociações da Rodada do Desenvolvimento de Doha para liberalizar o comércio mundial fracassarão se as economias envolvidas não exercerem “flexibilidade máxima” em suas posturas, alertaram hoje os ministros de Finanças do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).
Estas conversas, que buscam liberalizar o comércio e estender o desenvolvimento econômico às nações menos avançadas, começaram em 2001, mas fracassaram várias vezes devido ao enfrentamento entre os países industrializados e os emergentes.
De acordo com a minuta do comunicado conjunto que devem emitir ao final de suas reuniões em Cingapura, os ministros de Finanças do Apec exigiram que as partes envolvidas na Rodada de Doha que façam tudo o possível para chegar a um acordo antes da nova data limite de 2010.
O encontro do bloco regional contará com a presença do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, que aproveitará a ocasião para pedir aos Governos mais compromisso para relançar as negociações, que deveriam ter concluído em 2005.
Antes, os ministros de Exteriores do Apec advertiram sobre o protecionismo.
Trata-se de uma ameaça “muito perigosa (…), é um caminho muito escorregadio, e antes de nos dar conta podemos nos ver em uma situação ainda pior”, disse o cingapuriano George Yeo à imprensa, após sair da reunião.
Os chanceleres concordaram hoje em admitir que a crise econômica não chegou ao fim, apesar de alguns sintomas de recuperação, pois a economia mundial continua frágil e ainda não se encontrou uma solução para as causas da recessão.
Antes do fim de semana, quando acontecerá a cúpula do Apec, os ministros do bloco regional devem estudar entre hoje e amanhã como manter em andamento os programas de estímulo e evitar uma recaída da recuperação.
Os ministros tentarão buscar um consenso que evite ter de reduzir de novo o gasto público, no momento em que os mercados creditícios começam agora a ver a luz no final do túnel, segundo a minuta da agenda do encontro.
Desta maneira, alguns dos programas dos Governos para reativar suas economias serão prorrogados e outros retirados, em função do grau de recuperação e perspectivas de crescimento de cada país.
A reunião ministerial também se concentrará na promoção do livre-comércio e na integração econômica, os dois objetivos tradicionais do bloco regional, assim como em buscar uma postura comum para reduzir emissões poluentes, antes da próxima conferência sobre o clima da ONU, em Copenhague.
Outro tema da agenda é a fragilidade do dólar, depois que vários Governos asiáticos intervieram seus mercados nos últimos meses para estabilizar suas divisas e garantir suas exportações, uma estratégia não compartilhada pelo Ocidente.
Os membros do Apec são Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Tailândia, Taiwan e Vietnã.