O Governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), do primeiro-ministro Salam Fayyad, emitiu hoje um duro comunicado no qual convoca os palestinos a “fazerem frente a Israel, para deter” a grande presença judaica em Jerusalém.
Em seu texto, a ANP acusa Israel de “tentar organizar ofícios religiosos na Esplanada das Mesquitas”, situada na cidade de Jerusalém e o terceiro lugar mais santo para os muçulmanos, depois de Meca e Medina, ambas na Arábia Saudita.
O comunicado, que o Governo da ANP divulgou após seu conselho de ministros semanal, também faz um pedido à comunidade internacional para que detenha “os planos de Israel”.
O texto, de dureza incomum pela moderada ANP, foi emitido após o registro na manhã de ontem e de hoje de enfrentamentos entre jovens palestinos e forças de segurança israelenses na área de Jerusalém, que foram estendidos a Ramala (Cisjordânia) na tarde desta segunda-feira.
Segundo testemunhas, os choques em Ramala, sede da ANP e onde manifestantes palestinos lançaram pedras contra as forças de segurança israelense, aconteceram após a detenção de um jovem palestino em Jerusalém Oriental (árabe).
De acordo com a “Rádio Israel”, o jovem foi detido no início da tarde, após atacar e ferir no pescoço com uma faca um soldado israelense, quando o militar realizava uma operação de controle em um ônibus, perto do campo de refugiados de Shuafat.
O ataque foi precedido por choques que, nas últimas 48 horas, causaram ferimentos em dois policiais israelenses e provocaram um número indeterminado de detenções de manifestantes palestinos na área de Jerusalém.
A onda de violência acontece devido ao ambiente de tensão gerado na cidade santa desde que um grupo de israelenses visitou a Esplanada das Mesquitas, há uma semana.
Segundo porta-vozes israelenses, se tratava apenas de um grupo de turistas que realizaram a vista com o objetivo de conhecer o lugar.
De acordo com fontes palestinas, o grupo era composto por judeus ultraortodoxos, cuja visita tinha propósitos religiosos, já que a Esplanada das Mesquitas coroa o chamado Monte do Templo, o lugar mais sagrado do judaísmo.
Após os incidentes da semana passada, que deixaram 30 feridos, porta-vozes da ANP, presidida pelo moderado Mahmoud Abbas, qualificaram a visita do grupo de israelenses à Esplanada das Mesquitas de “uma provocação”.