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Mundo

Ano Novo chinês no Japão é marcado por trauma dos pastéis intoxicados

Arquivo Geral

11/02/2008 0h00

O Japão importou com notável sucesso muitas coisas da China, sildenafil como os caracteres, a pólvora e a culinária, mas este ano uma delas marcou a celebração do Ano Novo chinês em Yokohama: os pastéis.

Uma intoxicação em massa por gyozas (pasteizinhos chineses) congeladas importadas da China provocou esta semana uma notável queda de participação nas celebrações do Ano Novo chinês de Yokohama, a cidade que acolhe o maior bairro chinês do Japão.

Tudo começou com uma intoxicação em massa há uma semana que afetou mil japoneses, embora as autoridades só tenham confirmado dez casos.

O Governo japonês atribuiu a contaminação generalizada a alguns pastéis importados da China uma semana antes da celebração do Ano Novo Chinês.

Tanto os comerciantes do bairro chinês de Yokohama, o maior do Japão, que costumam lucrar bem nesta época, como os japoneses que assistem esta semana aos desfiles viram o consumo do pastel típico se reduzir.

Os comerciantes, afetados pela diminuição radical das vendas, chegaram a espalhar cartazes na cidade portuária japonesa garantindo que todos os produtos à venda foram produzidos no Japão.

Já os japoneses que adoram comer a especialidade, atemorizados pela crise alimentícia, questionam a segurança da comida importada, pratos principais e sobremesas.

Como todos os anos, os fogos de artifício soaram, as princesas chinesas passearam e os dragões atemorizaram o bairro de Chukagai nos desfiles que Yokohama compartilha esta semana com dezenas de bairros chineses espalhados por todo o mundo.

Os japoneses admiraram e fotografaram o evento com sua calma habitual, mas a alegria não alcançou os níveis de outros anos.

As ruas estavam mais vazias estes dias e os vendedores de rua redobravam os esforços para vender os populares bolos recheados cozidos ao vapor.

No entanto, os efeitos comerciais provocados pelos pastéis não foram sentidos apenas em Yokohama, porque o assunto das gyozas contaminadas chegou até as chancelarias de Tóquio e Pequim.

A origem de dezenas de casos de dores estomacais e diarréias, que no caso de uma menina japonesa a levaram ao coma, foi um lote de pastéis chineses importado de uma fábrica da província chinesa de Hebei.

A conseqüência foi o enrijecimento esta semana das já tradicionalmente radicais relações entre as duas potências regionais.

Aparentemente, o agente tóxico foi um organofosfato denominado metamidofos, uma espécie de inseticida, que contaminou os pacotes de gyoza durante a produção ou o empacotamento.

As autoridades sanitárias japonesas negaram que a intoxicação tivesse acontecido no Japão.

Já os chineses negaram que suas fábricas tivessem algum problema sanitário.

Os japoneses responderam com uma investigação criminosa.

Por fim, os chineses sugeriram que a intoxicação pode ter sido deliberada e produzida no Japão, com o obscuro objetivo de atrapalhar as relações entre Tóquio e Pequim.

Enquanto isso, os consumidores japoneses, hipersensíveis a qualquer tema que corresponde à saúde alimentícia, diminuíram o consumo de comida congelada em 40%.

A sensibilidade é compreensível, porque mais de 15% da comida congelada que é consumida no Japão é produzida na China.

No entanto, os Governos dos dois países trataram de esfriar a tensão bilateral e reforçar as tentativas de descongelar as problemáticas relações.

Esta semana o Ministério de Relações Exteriores japonês, Nobutaka Machimura, emitiu uma nota oficial na qual garantia que mantém uma “plena cooperação” com o Governo chinês para resolver o assunto.

Machimura esclareceu que é de bom senso pensar que, se o inseticida foi misturado com a comida na fábrica, o pacote já chegou adulterado ao Japão.

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