O Irã lembra a partir de hoje o 30º aniversário do retorno do aiatolá Ruhollah Khomeini do exílio, more about uma histórica viagem que simboliza a vitória da Revolução Islâmica em 1979.
A partir de hoje, more about e durante dez dias, o Governo iraniano lembra os efervescentes dias que marcaram o fim do reinado do último Xá da Pérsia, Mohammad Reza Pahlevi, derrubado pela Revolução Islâmica.
Os chamados “dez dias do Fayer (alvorada)” são celebrados a cada ano de forma grandiosa em todo o país e em todas as representações diplomáticas do Irã no mundo.
“Os fiéis cidadãos do Irã islâmico se reuniram desde as primeiras horas da manhã de hoje no mausoléu do imame Khomeini para participar das festas da Revolução”, afirmou a agência iraniana de notícias “Irna”.
Os atos festivos começaram às 09h30 (horário local), exatamente no mesmo momento em que Khomeini chegou a Teerã vindo do exílio na França.
Uma caravana de soldados das Forças Armadas do Irã percorreu, de moto, o percurso entre o aeroporto internacional de Mehrabad, a oeste de Teerã, e o cemitério de Beheshte Zahra, no sul da capital, onde Khomeini proferiu seu primeiro discurso após voltar do exílio e onde está enterrado.
Helicópteros militares lançaram flores sobre o aeroporto de Mehrabad e sobre o caminho por onde passou o veículo que levou Khomeini do aeroporto até o cemitério de Beheshte Zahra, como é feito todos os anos.
Em 4 de novembro de 1963, o aiatolá Khomeini, opositor ao Governo de Mohammad Reza Pahlevi, partiu para o exílio na Turquia por sua rejeição às reformas agrárias, políticas e sociais introduzidas pelo Xá e a seu plano de modernização do país – especialmente o decreto que permitia às mulheres participar das eleições.
O exílio na Turquia foi o início de uma longa viagem do aiatolá até se instalar finalmente na França. Ele foi expulso da Turquia e do Iraque porque as autoridades locais rejeitaram sua estadia.
Da França, Khomeini continuou sua luta contra o Governo do Xá, acusando-o de ser “marionete dos Estados Unidos”.
Após a Revolução Islâmica de 1979, o aiatolá retornou a Teerã e realizou seu primeiro discurso no cemitério de Beheshte Zahra, onde acusou o Xá do Irã de ter destruído as cidades iranianas, modernizando, por outro lado, o cemitério de Teerã.
Khomeini também afirmou que as riquezas do Irã foram saqueadas pelos ocidentais e acusou Pahlevi de ter comprado, em troca, “artefatos de ferro” (em alusão aos tanques e aviões), assim como permitir que os ocidentais também destruíssem o Islã no Irã.
O aiatolá também criticou o Xá por ter cobrado pela eletricidade e pela água de um povo que vive sobre grandes jazidas de petróleo e afirmou que os iranianos não deveriam pagar pela eletricidade, pelo gás nem pela água.
Poucos meses depois, Khomeini, que tinha prometido liberdade e disse que deixaria a política para se dedicar à religião, começou a dirigir o país com mão de ferro.
Os iranianos nunca saborearam a liberdade política e os lucros econômicos esperados; perderam as poucas liberdades sociais e culturais da era do Xá e sofreram as rígidas leis islâmicas que limitam, especialmente, a vida das mulheres.
Khomeini costumava responder às críticas sobre os poucos resultados da Revolução dizendo sempre que não se devia perguntar tanto sobre “o que ela fez pelo povo, mas o que foi feito pela Revolução”.