A secretária-geral da Anistia Internacional, sick Irene Khan, troche pediu hoje ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que envie “imediatamente” uma missão a Mianmar (antiga Birmânia). O responsável da organização pró-direitos humanos fez o pedido depois que quase 150 mil pessoas, lideradas por monges budistas, realizaram hoje manifestações em favor da democracia, ignorando as ameaças da junta militar que governa o país, e que já dá sinais de que se prepara para sufocar a crescente rebelião.
Em comunicado divulgado de sua sede em Londres, a Anistia Internacional afirma que essa missão deve tomar medidas urgentes para resolver a crise dos direitos humanos no país, e evitar o risco de violência e de derramamento de sangue.
Além disso, deve discutir com as autoridades a melhor forma de resolver os antigos problemas dos direitos humanos no país, que já incluíram a detenção da líder opositora Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz e que se encontra em prisão domiciliar desde 2003.
“O alto risco de que se tomem medidas enérgicas contra os manifestantes torna imperativo que a comunidade internacional atue urgentemente. É preciso dizer à junta militar que governa Mianmar que haverá um preço a ser pago, caso se repita a violenta repressão de 1988”, advertiu Khan.
Os protestos estudantis naquele ano foram esmagados pelos militares, com o massacre de cerca de 3 mil ativistas.
A secretária-geral da Anistia Internacional destacou que os manifestantes têm o direito de expressar de forma pacífica sua opinião. “O Governo de Mianmar tem o dever de respeitar completamente esse direito”, afirmou.
Segundo Khan, a China, como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e como um país com influência política sobre Mianmar, tem um papel-chave na disputa, assim como Japão, Índia e os membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
“Estes países devem usar sua influência para pôr fim à situação de desrespeito aos direitos humanos em Mianmar, que estava completamente esquecida”, disse.
A AI documentou um histórico “péssimo” de respeito aos direitos humanos no país, com mais de 1.160 presos políticos em condições carcerárias cada vez piores, o uso de crianças-soldado e de trabalho forçado e o emprego rotineiro da tortura, sobretudo durante os interrogatórios.