Amsterdã anunciou, pills ontem, planos de fechar até metade dos famosos bordéis e coffee shops (cafés que vendem maconha) como parte de uma grande revitalização de seu centro histórico. A prefeitura da cidade afirma que quer tirar o crime organizado da região, e tem como alvo estabelecimentos que “geram criminalidade, incluindo casas de jogos, locais de prostituição e os coffee shops”.
“Com a redução e o zoneamento desses tipos de funções, conseguiremos lidar melhor com a infra-estrutura do crime”, disse a prefeitura em comunicado. Ela acrescentou que também irá reduzir diversas atividades que vê como relacionadas à “decadência” do centro, como sex shops, mini-supermercados, casas de massagem e lojas de souvenirs.
A cidade disse que há um excesso de estabelecimentos desse tipo e acredita que alguns deles sejam usados para lavagem de dinheiro e tráfego de drogas e de pessoas para muitas das casas de prostituição da cidade.
De acordo com o plano, Amsterdã vai gastar até US$ 51 milhões para levar hotéis, restaurantes, organizações culturais e butiques ao centro. A prefeitura também pretende construir estacionamentos subterrâneos para carros e bicicletas e pode usar parte dos prédios vagos para combater a escassez de moradia.
Cogumelos
O rótulo de país tolerante às drogas que a Holanda carrega parece ameaçado por algumas medidas adotadas pelas autoridades locais. A última delas proíbe a venda de cogumelos alucinógenos frescos, conhecidos como “mágicos”. A produção e comercialização desse tipo de substância agora poderão levar à cadeia.
Nas últimas semanas, as smartshops – locais onde se realizava a venda desses cogumelos – registraram aumento na clientela, na maioria pessoas interessadas em estocar pequenas quantidades antes que a proibição começasse a valer.
O debate sobre a proibição dos cogumelos alucinógenos frescos – os secos já eram ilegais – ganhou força no país depois que, no ano passado, uma turista francesa de 17 anos cometeu suicídio ao pular de uma ponte após consumir esse tipo de droga. Embora não tenha sido comprovada relação entre os dois fatos, o episódio serviu para reforçar os argumentos dos defensores da proibição.
Em comunicado divulgado para justificar a medida, o Ministério da Saúde, Bem-estar e Esporte holandês disse que “está comprovado que (o consumo de cogumelos alucinógenos) pode levar a comportamentos imprevisíveis, logo, de risco”.
A tese é rebatida pela Associação Nacional de Smartshops (VLOS, na sigla em holandês), que tentou sem sucesso derrubar a medida na Justiça. Segundo a organização, a maioria dos incidentes envolve turistas que consomem drogas e álcool sob efeito dos cogumelos.
O argumento defendido pela associação encontra apoio em dados do próprio governo. Segundo estudo do Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente, entre 2005 e 2006, das 70 pessoas que receberam assistência médica depois de ingerir cogumelos em Amsterdã, 63 eram estrangeiras.
Pela lei em vigência, embora a venda da maconha e do haxixe seja permitida, a produção continua proibida. De acordo com alguns especialistas, o fato de parte da “cadeia da cannabis” – cultivo, distribuição e venda – seguir na ilegalidade coloca em xeque a política holandesa de tolerância às drogas.